O candidato do PSDB à Presidência, José Serra, acusou o governo federal de confundir política externa com política partidária e condenou a conivência do PT em relação às Forças Armadas Revolucionárias (Farc), da Colômbia. “Ao meu ver, a posição brasileira neste caso é equivocada. O Brasil deveria explicitar que se trata de força terrorista e ligada ao narcotráfico. São narcotraficantes”, afirmou, em entrevista coletiva concedida após se reunir com o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, no hotel Tivoli Mofarrej, na capital paulista. “Creio que o Brasil deveria explicitar esse conceito em relação às Farc.”
Em mais um ataque à sua principal adversária na disputa eleitoral, Dilma Rousseff (PT), Serra disse que Olivério Medina, ex-padre e porta voz das Farc, é “espécie de embaixador internacional” do grupo no País e que Dilma, quando foi ministra-chefe da Casa Civil, assinou documento que liberou a mulher de Medina, Angela Slongo, para assumir cargo no Ministério da Pesca. Serra disse ainda que as fronteiras brasileiras são as mais mal guardadas do mundo, “ao contrário do que Dilma disse”. “Temos que fazer nosso dever de casa, que é combater o contrabando nas nossas fronteiras.”
Serra também criticou de forma específica o assessor especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, que classificou as Farc como “movimento insurgente”. “O PT teve lá suas relações com as Farc. O segundo personagem do governo que comanda a política externa, Marco Aurélio Garcia disse muito claramente que as Farc são uma força política. Não falou nem de narcotráfico nem de terrorismo”, disse Serra. “A política externa brasileira, devido a ideologia e ligações políticas do partido do governo, acaba sendo inadequada para a defesa dos interesses nacionais. Não é uma política de Estado, mas é uma política de partido.”
Serra defendeu ainda que o Brasil faça pressão diplomática sobre a Bolívia para impedir a entrada de drogas no País. “O Brasil tem se abstido de pressão diplomática mais direta com relação à Bolívia. Ao meu ver, o governo boliviano tem uma espécie de cumplicidade com relação à exportação de drogas ilegalmente para o Brasil, porque não toma medidas a esse respeito”, afirmou. “O Brasil tem tido relação amistosa com a Bolívia, o que é bom. Mas temos dever de fazer pressão diplomática para que o governo boliviano ajude a limitar a exportação ilegal de cocaína para o Brasil.” (AE)