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Economia
Foco Econômico
16-04-2019 | 19h40
Projeções do BC para contas externas mostram que a crise é mesmo só nossa
Lauro Veiga

Mesmo diante do salto projetado pelo Banco Central (BC) para o déficit na conta de transações correntes do País, o cenário tende a continuar bastante confortável por conta das reservas internacionais muito elevadas, próximas a US$ 382,8 bilhões no encerramento da primeira quinzena deste mês, algo como um quinto do Produto Interno Bruto (PIB). Mas também porque o BC espera a entrada de investimentos diretos do exterior, incluindo as polêmicas operações de internalização de plataformas de petróleo, que ultrapassam em quase três vezes o rombo total esperado.

Desde o começo da recessão e ainda na sequência, com a economia demonstrando sua incapacidade para retomar o crescimento de forma mais sustentada, os números das contas externas apenas reforçam que a crise e o baixo crescimento são “obras” produzidas inteiramente aqui dentro. Não foram apenas os estragos causados por dois anos de queda profunda da atividade econômica que poderiam explicar o baixo crescimento.

A persistência em políticas de aperto fiscal e monetário tem grande parcela de culpa ao inibir a demanda total. Muito especialmente numa fase de ociosidade elevada nas fábricas, alto desemprego, famílias e empresas ainda endividadas, pouco ou quase nenhum crescimento no mercado de trabalho. Como se torna a cada dia mais nítido, diante da ausência de dinamismo mais relevante nos diversos setores da atividade econômica, a queda nas taxas de juros foi insuficiente e deveria ter sido continuada nos últimos meses como forma de combater a apatia na economia e tentar reavivar o emprego.Mesmo a recente retomada ensaiada no mercado de empréstimos e financiamentos (mais 5,1% em 2018 e com o BC projetando alta de 7,2% para este ano no saldo do crédito) parece não sugerir força suficiente para dar sustentação à demanda.

Dados revisados

Na revisão apresentada recentemente, o BC passou a projetar um déficit em transações correntes de US$ 30,8 bilhões para este ano, numa redução de 13,5% frente ao rombo de US$ 35,6 bilhões na previsão anterior (um corte de US$ 4,8 bilhões). A conta de transações correntes inclui, entre outras, despesas com viagens internacionais, fretes, aluguel de equipamentos no exterior, remessas de juros e dividendos, além da diferença entre exportações e importações. Na comparação com o ano passado, o déficit tende a mais do que dobrar, saltando 112,4% diante do rombo de US$ 14,5 bilhões registrado em 2018. Mas outras contas deverão ajudar a contrabalançar essa alta e o estrago, assim, não deve gerar maior intranquilidade. Ao contrário. O investimento estrangeiro deve girar em torno de US$ 90,0 bilhões, em alta de apenas 1,9%, mas 192% superior ao déficit em transações correntes.

Balanço

·   Pouco mais de 83% do crescimento esperado para o déficit em transações correntes virão da queda de 25,4% esperada para o superávit comercial (exportações menos importações), que deverá baixar de US$ 53,6 bilhões para US$ 40,0 bilhões entre 2018 e 2019, encolhendo US$ 13,6 bilhões.

·   O BC utiliza metodologia diferente para medir a balança comercial. Para se ter ideia, o dado oficial da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostra um superávit de quase US$ 58,7 bilhões no ano passado, perto de US$ 5,1 bilhões mais elevado.

·   De qualquer forma, o BC trabalha com previsão de exportações de US$ 247,0 bilhões e importações de US$ 207,0 bilhões em grandes números, expressando crescimento de 3,3% e de 11,6% frente a 2018, respectivamente.

·   Na previsão anterior, a expectativa era de exportações e importações levemente maiores (US$ 250,0 bilhões e US$ 212,0 bilhões, pela ordem), mas o saldo projetado atingiria US$ 38,0 bilhões. Na projeção mais recente, as exportações e importações foram reduzidas ligeiramente (-1,2% e 2,4% respectivamente), elevando o saldo esperado em 5,3%.

·   O BC incorporou a expectativa de um crescimento menor para a economia brasileira (com impacto sobre as compras externas), os efeitos da tragédia em Brumadinho sobre as vendas externas de minério de ferro, assim como a expectativa de menor produção de soja.

·   Ainda assim parece haver algum excesso de otimismo do BC ao se considerar o incremento esperado para as importações. De qualquer maneira, um avanço menos intenso das compras ajudaria a melhorar o saldo comercial, reduzindo, portanto, o déficit em transações correntes.

 
(62) 3095-8700