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Economia
Foco Econômico
22-03-2019 | 19h35
Recursos de longo prazo sofrem baixa de 1,1% em Goiás e afetam investimentos
Lauro Veiga

Não apenas os desembolsos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) encolheram em Goiás no ano passado como as contratações realizadas pelas empresas do Estado com recursos do Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (FCO) sofreram recuo, afetando a oferta de crédito de longo prazo para investimentos. Na soma dessas duas fontes de financiamentos, a indústria em geral foi a mais sacrificada, seguida pelos setores de comércio e serviços (com a inclusão das atividades de turismo). As liberações para as áreas de infraestrutura e agropecuária, ao contrário, apresentaram crescimento até expressivo, no primeiro caso, concentradas no setor elétrico, e no segundo, principalmente na agricultura familiar (o que explica ainda a maior concentração das operações do FCO no Estado em mini, micro e pequenas empresas).

Embora o total geral de contratações realizadas pelo FCO tenha apresentado salto de 13,7% entre 2017 e 2018 em toda a região Centro-Oeste, em Goiás, os recursos contratados apontaram leve redução de 0,74% em termos nominais, significando uma queda real próxima a 4,5% a se considerar a inflação oficial do período. Em valores não atualizados, o FCO injetou quase R$ 9,450 bilhões em todo o Centro-Oeste no ano passado, diante de R$ 8,314 bilhões em 2017. Em relação aos recursos orçados para a região, que chegaram a cair 4,54% em 2018, o total executado representou 97,4% frente a um percentual de 81,8% no ano anterior.

Em Goiás, os valores desembolsados recuaram de praticamente R$ 3,149 bilhões para menos de R$ 3,126 bilhões, o que representou 94,7% dos R$ 3,300 bilhões orçados. Em 2017, o Estado havia realizado contratações 6,8% superiores ao orçamento fixado, na faixa de R$ 2,949 bilhões. A previsão de recursos para 2018 chegou a crescer 11,9%, mas as contratações de fato executadas foram mais baixas, o que reduziu a participação de Goiás no FCO de 37,9% para 33,08%. O setor rural contratou 86,43% dos recursos do fundo destinados a Goiás no ano passado, somando R$ 2,701 bilhões, em lata de 9,28% diante de 2017, quando os projetos nesta mesma área haviam recebido R$ 2,472 bilhões (785% do total).

Combinação

Somados os desembolsos do FCO e do BNDES, as empresas goianas contrataram um total de pouco mais de R$ 5,177 bilhões ao longo de 2018, o que correspondeu a uma redução de 1,08% diante dos R$ 5,234 bilhões desembolsados em 2017. A queda concentrou-se nos setores da indústria, que teve os desembolsos reduzidos de R$ 514,307 milhões para apenas R$ 186,435 milhões entre os dois últimos anos, significando um tombo de 63,75%. Os recursos, apenas para reforçar, correspondem à soma dos desembolsos do BNDES e das contratações do FCO e mostram claramente que o setor industrial teve um volume de recursos muito menor para financiar projetos de longo prazo e seus investimentos de forma geral, o que poderá trazer consequências quando a economia voltar a crescer mais rapidamente, exigindo mais à frente um esforço maior do setor para tentar acompanhar a demanda mais aquecida.

Balanço

·   Os setores de comércio e serviços, incluindo o turismo (na classificação do FCO), contrataram 11,09% menos recursos do BNDES e do fundo constitucional no ano passado, representando uma queda de R$ 755,183 milhões para R$ 671,413 milhões entre 2017 e 2018.

·   Considerando apenas as linhas do FCO, a indústria goiana perdeu 73,26% dos recursos, despencando de R$ 209,944 milhões para R$ 56,139 milhões. Sua participação nas contratações totais foi reduzida de 6,67% para 1,80%.

·   Ainda dentro do FCO, comércio e serviços reduziram suas contratações de R$ 422,72 milhões (13,43% do total em Goiás) para R$ 278,042 milhões (8,90% do total). No turismo, a queda atingiu 73,18%, com as contratações desabando de R$ 27,348 milhões para R$ 7,334 milhões.

·   Projetos de infraestrutura receberam R$ 763,626 milhões no ano passado, na combinação dos desembolsos do BNDES e contratações do FCO, com alta de 18,73% frente aos R$ 643,177 milhões contratados em 2017.

·   Apenas com recursos do FCO, a infraestrutura recebeu R$ 82,677 milhões no ano passado, num salto de 393,4% em relação a R$ 16,758 milhões em 2017. Praticamente 94,0% dos recursos aplicados nesta área em 2018 foram para rodovias.

·   O BNDES liberou R$ 680,949 milhões para a infraestrutura em 2018, num incremento de 8,7% (R$ 626,419 milhões em 2017). O setor elétrico, com R$ 427,061 milhões contratados, respondeu por 62,72% dos desembolsos, em alta de 20,86% em relação a 2017 (R$ 353,357 milhões).

Ainda em 2018, nada menos do que 76% dos recursos para o setor elétrico foram desembolsados pelo banco de fomento em dezembro, com R$ 324,585 milhões destinados ao setor de transmissão. 

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