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02/09/2018 | 06h00
Celular na escola pode, e faz bem
Pesquisa mostra que o percentual de professores que utiliza o celular para desenvolver atividades com os alunos passou de 39% em 2015 para 56% em 2017

O diretor Thiago Oliveira afirma que o uso de celulares em sala de aula é permitido quando ele está inserido como ferramenta pedagógica

Raunner Vinícius Soares*

Com a popularização dos smatphones, crianças, jovens e adultos passaram a utilizar com mais frequência os aparelhos em todos os momentos da rotina, inclusive na hora de estudar. Uma pesquisa sobre o Uso das Tecnologias de Informação e Comunicação nas Escolas Brasileiras (TIC Educação 2017) mostra que o percentual de professores que utilizam o celular para desenvolver atividades com os alunos passou de 39% em 2015 para 56% em 2017. O aumento aconteceu tanto nas escolas públicas, onde o percentual passou de 36% para 53%, quanto nas particulares, crescendo de 46% para 69%.

Entre os alunos, o uso também aumentou. Em 2016, quando a pergunta foi feita pela primeira vez, 52% disseram já ter usado o aparelho para atividades escolares, a pedido dos professores. No ano passado, esse índice passou para 54%. Entre os alunos de escolas particulares, o percentual se manteve em 60%. Entre os das escolas públicas, aumentou de 51% para 53%.

Thiago Oliveira, professor de matemática e diretor-geral de uma escola particular em Goiânia, explica que o uso do aparelho em sala é recorrente e chega a ser um trabalho de “formiguinha” tentar combater esta tecnologia dentro da sala aula. “Então criamos uma condição para que os estudantes possam usar o celular como ferramenta pedagógica”, explica o professor.

Foi neste contexto que o colégio onde o professor Thiago é diretor cedeu ao uso do celular e, também, disponibilizou um aplicativo que, segundo ele, os alunos possam tirar dúvidas durante o período vespertino ou noturno, ou seja, uma plataforma de monitoria virtual. Com ela, a instituição estimula a autonomia dos estudantes e cria uma condição quase imediata de resposta.

De acordo com o diretor-geral, no Colégio Integrado o uso dos dispositivos é permitido quando ele está inserido como ferramenta pedagógica nas aulas regulares planejadas pelos professores. “O que não é permitido é o uso do aparelho de forma indiscriminada durante as aulas e também nos intervalos entre elas”, pontua Thiago Oliveira.

Segundo o diretor, as regras elaboradas e aplicadas no colégio são pensadas para garantir o bem-estar e desenvolvimento dos alunos. Thiago afirma que ao apresentar para os estudantes a justificativa dessa regra, a maioria entende o propósito e consegue cumpri-las. “Entendemos ser improvável um estudante conseguir um bom desempenho acadêmico assistindo às aulas e acessando as redes sociais simultaneamente, por exemplo. Além disso, consideramos que os intervalos são momentos para sociabilização e fortalecimento de vínculos”, explica.

Ferramenta

O Plurall é um aplicativo educacional utilizado pela escola, uma monitoria virtual, quando o estudante precisa tirar uma dúvida, ele acessa, e se essa dúvida tiver sido postada por algum outro aluno, o aplicativo tem um histórico, e essa dúvida pode ser sanada sem necessariamente precisar mandar o questionamento. “Se é a primeira dúvida, o aplicativo administrado por monitores demora alguns minutos, já que ele não é online, mas é uma situação de resposta rápida, funcionado 24hs por dia”, pontua o diretor-geral.

Isto é, o alunoa consegue tirar a dúvida dele como se fosse uma mensagem rápida igual a um aplicativo de mensagens. Uma dúvida nova não passa de 60 minutos, para um questão mais básica, se for uma questão mais complexa temos até 2 horas de resposta num horário comercial. Se a dúvida for postada de madrugada ela pode ser sanada em até menos tempo, porque tem monitores que trabalham neste período.

O diretor do colégio diz que no período matutino, de aulas normais, quando há uma programação de um professor, ele solicita e informa que vai utilizar o celular e a equipe educacional cria a condição para isso. “De repente até disponibiliza a rede wifi para os estudantes.” Já no turno vespertino, explica que este momento é liberado para eles, então os alunos estudam por conta própria através da ferramenta de monitoria virtual.

Thiago informa que já percebeu que os alunos conseguiram realmente estudar e, o principal, resolver rapidamente as dúvidas que eles tinham. “Isso foi um grande salto na condição educacional. As dúvidas que eles tinham em sala de aula, agora podiam ser solucionadas de maneira virtual, a qualquer hora do dia ou da noite”, explica o diretor.

O celular, de acordo com o Thiago, é benéfico quando utilizado como ferramenta educacional, qualquer outra finalidade que não seja essa não é permitido. “Então, para nós é um benefício, mas se mau utilizado como acessar redes sociais durante as aulas poderia sim gerar um prejuízo acadêmico”, pontua.

O aplicativo, segundo o diretor-geral do colégio, é ajuda os alunos a discernir notícias falsas da verdadeira informação. “A melhor forma de se salvaguardar desses perigos é aprender a pesquisar, dialogar e pedir ajuda aos professores da área específica daquela notícia em questão ou aos seus pais”, reforça Thiago.

Aulas

A tecnologia pode colaborar muito com o ensino-aprendizagem, e os professores podem tornar as aulas mais interessantes usando games pedagógicos, por exemplo. Além disso, o professor ainda pode passar a tarefa de casa para que os alunos possam responder via aplicativo. E, normalmente, a correção é feita de forma instantânea e sempre com a explicação da resposta correta.

O diretor-geral relata que na aula de física, por exemplo, o professor precisou medir a velocidade média, ele então levou os alunos para a quadra e os alunos tinham uma distância a ser percorrida, e um tempo para ser utilizado e a ferramenta naquele momento foi o smartphone que está na mão de todos os alunos. “Poderia ser um cronômetro, porém essa ferramenta tem no smartphone, então a gente utilizou para isso.”

E como, segundo o diretor-geral, os alunos estavam muito envolvidos com esse projeto, com essa aula, eles não acessavam as redes sociais, que é o nosso maior receio: o aluno não saber lidar com o que pode e o que não pode. Com o uso do celular o interesse do aluno aumentou muito, afirma Thiago. “O que a escola está utilizando, é que os professores em sala de aula, fomentam a utilização da ferramenta digital. Então quando a gente acessa a ferramenta em sala de aula eles tenham uma percepção daquilo que vai usar, depois, em casa.”

 

Sucesso com o uso do celular em sala de aula depende de todos  

A estudante Isadora Soares Souza, de 15 anos, diz que usar aplicativo de celular como uma ferramenta de estudo, facilita muito o processo de aprendizagem, principalmente porque tem livros digitais. Caso tenha esquecido um livro em casa, ela pode acessar ele pelo aplicativo. Além disso, tem os módulos que são disponibilizados no aplicativo e as monitorias. “Ou seja, se tenho dúvidas eu posso fazer as perguntas e então elas são respondidas. Eles te ajudam a responder e facilita o processo”, afirma a estudante.

A adolescente já enxerga um resultado nos seus estudos, porque o celular é uma ferramenta que já utilizava. Além do aplicativo, Isadora diz que o uso da tecnologia oferece ainda o diferencial na relação aluno e professor. “O aluno se sente confortável para falar com o professor, e com possibilidade de contatá-lo mesmo no dia que não tem aula. O aluno consegue estreitar a relação com o professor, e isso facilita tirar as dúvidas”, pontua a estudante.

Isadora explica que o interesse pelo conteúdo aumentou muito, porque, segundo ela, já tem um interesse em mexer com o celular. “É algo que gosto de fazer. Então trazer o estudo para o ambiente do celular, ambiente tecnológico, deixa tudo mais interessante. Tem como eu assistir aulas, tenho um acesso mais próximo com a matéria, para mim, torna a matéria mais real.” 

Resultados pedagógicos

O diretor-geral da escola onde a adolescente estuda, Thiago Oliveira, explica que ainda não deu tempo de notar um resultado em longo prazo, entre o aluno que não usava o celular para o aluno que usa o aparelho. Porém, antes ele percebia que quando o aluno tinha o celular em mãos, só utilizava para acessar redes sociais, e os professores tinham que coibir muito com um trabalho de vigilância constante. “Com a incrementação no nosso plano de aula praticamente eliminamos este problema.”

O direto explica que era muito trabalhoso, quando os professores pegavam o aluno usando o celular, o aparelho era recolhido e colocado na Orientação Educacional para depois o celular ser solicitado pelo aluno, ou se for reincidente, pela família. E era um trabalho de constante vigilância atrapalhando o processo educacional. (Raunner Vinícius Soares é estagiário do jornal O Hoje sob orientação do editor de Cidades Rhudy Crysthian) 

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