“Invasão corintiana” no Japão

Torcedores “invadem” treino e força da Fiel impressiona até mesmo a Fifa
Agência Estado
Em 09/12/2012, 01:13

Faz frio e a arquibancada do CT de Kariya, onde o Corinthians treinou na manhã de ontem, ferve. Funcionários da Fifa que trabalham na organização do Mundial de Clubes, todos de colete amarelo, fixam os olhos nos torcedores, com suas faixas, bandeiras e batuques.

A chamada “invasão corintiana” ao Japão ainda não atingiu seu ápice, e a Fifa já está alarmada com a Fiel. “Eles estão chocados”, afirma o gerente de futebol Edu Gaspar, represente do clube em reuniões com a entidade.
A passagem do Corinthians pelo país asiático está sendo marcada por uma série de quebras de protocolo, como, por exemplo, abrir treinos oficiais da competição à torcida. “Isso não é normal”, comenta Edu.

Segundo ele, o Corinthians só permitiu a entrada de torcedores no treino depois de negociar com a Fifa. Abrir um treinamento ao público exige a presença maior de seguranças e integrantes da organização.

Cerca de 700 torcedores assistiram ao treino ontem pela manhã. A maioria deles vive no Japão e está acompanhando o time desde a chegada, na quinta-feira. Esse número vai aumentar consideravelmente na medida em que os torcedores que moram no Brasil desembarquem no país. Um outro treino deverá ser aberto ao público, não em Kariya, mas na cidade de Yokohama, onde o time vai após a estreia, dia 12.

Se por um lado a Fifa está, até certo ponto, preocupada com a segurança e com possíveis incidentes que a presença maciça de torcedores no país asiático pode causar, a entidade está entusiasmada com a repercussão que a “invasão” corintiana está tendo na imprensa japonesa.

Elogios da Fifa
Em uma reunião com o Edu Gaspar, na última sexta-feira, dirigentes da Fifa parabenizaram o Corinthians pela mobilização de torcedores desde na saída da delegação no Brasil, na segunda-feira –15 mil corintianos foram ao Aeroporto de Guarulhos. A Fifa fez questão de ressaltar isso publicamente antes da primeira coletiva oficial do técnico Tite, na presença da imprensa mundial.

Após a Libertadores, a entidade ficou surpresa com a quantidade de e-mails que recebeu solicitando informações sobre a compra de ingressos. Só para o Brasil, foram dez mil bilhetes vendidos – são esperados 20 mil corintianos por jogo.

A Gaviões da Fiel, principal torcida organizada do clube, está presente no Japão e tem 6 mil associados na sua subsede. A maioria deles vai assistir aos dois jogos do time. “Estamos todos muito alegres e faremos de tudo para dar o título aos torcedores”, falou Edu. “Nossa entrega será total.”

Guerrero, atacante peruano, disse que está surpreso com a quantidade de torcedores do Corinthians. “Eu já tinha escutado que era a maior torcida do Brasil, mas agora pude ver corintianos em Dubai, aqui no Japão, não imaginava”, afirmou. “Nunca tive uma despedida como aquela (em Guarulhos).”

Até agora não ocorreu nenhum incidente sério, apesar do tumulto na chegada do time ao hotel em Nagoya, quando uma porta quase foi arrombada. A presença de torcedores no hotel é constante, mas os jogadores têm tido certa liberdade para circular pelo local.

O treino com a presença da torcida no CT de Kariya transcorreu sem problemas. Os jogadores, como forma de retribuição, foram para perto da torcida. Guerrero e o técnico Tite autografaram camisas. 

Cássio vê equipe pronta 

O sonho corintiano do título mundial passa, e muito, pelo goleiro Cássio. Para o Corinthians ser campeão, o goleiro precisa estar bem nos dois jogos que disputará no Japão. Mas, se depender da confiança que ele demonstrou ontem, o torcedor corintiano pode ficar tranquilo.

O grandalhão de 1,95m de altura dá de ombros para a pressão sobre o elenco. E usa a Libertadores como justificativa. “A cobrança era muita grande, mas o time passou e se deu bem. Já enfrentamos muitas coisas esse ano. Como o Tite fala, o time está calejado e pronto”, afirmou.

Nem mesmo os três gols sofridos contra o São Paulo, no último jogo da equipe antes do embarque para o Japão, ou as críticas de que tem atuado muito adiantado o abalaram. “Tenho 1,95m. Não posso jogar debaixo da trave. Tomar gol faz parte da vida dos goleiros.”

Cássio aprendeu a jogar mais adiantado no período em que atuou no futebol holandês, de 2007 até o fim do ano passado, no PSV e no Sparta Roterdã. “Lá, os goleiros jogam quase como se fossem líberos”, explica.

E foi justamente por jogar dessa maneira que ele fez a defesa mais importante da sua vida contra o Vasco, nas quartas de final da Libertadores, quando espalmou para escanteio um chute cara a cara de Diego Souza. “Sempre joguei desse jeito, é o meu estilo.”

No Mundial, Cássio não se vê fazendo nenhum tipo específico de defesa. Só quer voltar para o Brasil com a taça para dedicá-la à mãe Maria, que o criou sem a presença do pai. 

Rival será conhecido hoje

O técnico Tite, os jogadores do Corinthians – e milhões de torcedores espalhados pelo mundo – estarão hipnotizados a partir das 8h30 (de Brasília), com os olhos vidrados no Estádio Toyota para a partida entre Sanfrecce Hiroshima, atual campeão japonês, e o Al Ahly, vencedor da Liga dos Campeões da África. Desse jogo sairá o adversário do Corin­thians para a semifinal de quarta-feira, no mesmo estádio. O duelo promete ser equilibrado, disputado em alta velocidade, com ligeira vantagem para o time egípcio.

Os corintianos já tiveram a chance de observar o Sanfrecce, que venceu o Auckland City por 1 a 0 pelas oitavas de final. É um time rápido, que toca bem a bola e costuma chutar de fora da área – foi assim que Toshirio Aoyama definiu a vitória da equipe japonesa. “Vamos continuar atuando no estilo de jogo com o qual estamos acostumados: bem organizados e sempre em movimento, deixando a bola correr”, disse o meia Yojiro Takahagi.

O Al Ahly completa a sua quarta participação no Mundial de Clubes (sua melhor campanha foi o terceiro lugar na edição de 2006). As esperanças dos egípcios de fazer uma melhor participação desta vez recaem sobre o atacante Mohamed Nagy, conhecido como Gedo, que marcou cinco gols na conquista do título continental. “Os torcedores têm grandes esperanças de que conseguiremos uma melhor campanha do que em 2006. É um torneio difícil, mas estamos 100% preparados”, disse o diretor Khaled Mortagy.



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