Pai Presente já realizou 100 registros

Programa de reconhecimento de paternidade faz atendimento desde abril. Estimativa é de que haja 350 mil pessoas sem registro
aNGÉLICA QUEIROZ
Em 12/08/2012, 01:13

Trabalho já realizado no interior do Estado e que busca se fortalecer na capital, o Projeto Pai Presente, que inaugurou uma sala exclusiva para atendimento em Goiânia em abril, já possibilitou mais de 100 reconhecimentos de paternidade. Outros 100 processos estão em andamento. Em Goiás, de acordo com o último censo escolar, 156 mil pessoas não têm o nome do pai em seus registros. Mas, para o coordenador do projeto, o 1º juiz auxiliar da Corregedoria, Carlos Magno Rocha da Silva, esse número pode chegar a 350 mil, já que os dados oficias só computam quem está matriculado na rede de ensino.

O juiz afirma que o número de pessoas que procuram a ajuda do projeto para localizar os pais ou conseguir o registro é crescente. “Nossa ideia é que as pessoas o vejam (o projeto) como uma referência.” O juiz explica que, assim que o suposto pai é localizado, é chamado para uma audiência de conciliação. Uma parceria firmada com o Ministério Público e Organização das Voluntárias de Goiás (OVG) possibilita exames de DNA gratuitos, quando necessários.

Carlos Magno também lembra que a conquista financeira é importante, mas está em segundo plano para a maioria dos filhos. “Eles querem primeiro o reconhecimento afetivo do pai e resgatar seus direitos à cidadania plena”. Segundo ele, a maior contribuição do projeto é consolidar os laços familiares. “Um filho acolhido tem muito menos chance de ir para a marginalidade”, destaca. A sala do projeto, de número 1105, fica no 11º andar do Fórum de Goiânia. No interior, os interessados devem procurar o juiz daquela comarca.

Relacionamento
O psicólogo Wadson Arantes Gama explica que a forma como a mãe constrói a figura paterna é decisiva para o desejo ou não de os filhos conhecerem o pai. “Tudo vai depender da relação que o indivíduo tem com a imagem do pai.” Segundo ele, o projeto Pai Presente é muito importante para ajudar as pessoas que querem o encontro.

No entanto, ele lembra que a relação afetiva poderá ou não ser construída, após o reconhecimento pelo documento. “Não é o registro que vai mudar esse vazio que muita gente tem devido à ausência do pai. Ter o registro alivia em partes a angústia desse sujeito de não saber de onde veio, mas não significa que vai suprir a falta desse pai.”


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