53 pessoas abandonam suas vítimas

Números da delegacia de crimes de trânsito revela que, a cada 30,5 acidentes em Goiânia neste ano, um condutor omitiu o socorro
camila cecílio
Em 16/07/2012, 00:36

A cada 30,5 acidentes registrados pela Delegacia Especializada em Investigações de Crimes de Trânsito de Goiânia (Dict), um motorista foge sem prestar socorro à vítima. De 1.621 ocorrências somadas até junho deste ano, 53 pessoas haviam abandonado o local do acidente. No ano passado, dos 3.065 acidentes, 158 pessoas se afastaram sem dar nenhuma assistência ao ferido. Já em 2010, esse total foi de 118, sendo que a especializada constatou a ocorrência de 2.536 acidentes de trânsito na capital. Apesar de ter havido redução, se comparado ao mesmo período nos anos anteriores, os números dos últimos seis meses são altos, de acordo com o delegado titular da DICT, Waldir Soares.

As explicações para tantas omissões de socorro, segundo o delegado, variam conforme as situações, que são diversas. Inicialmente, os condutores fogem para não arcar com possíveis prejuízos materiais e despesas médicas. Outra circunstância é quando há ameaça de represália por parte de populares. “Muitos abandonam a responsabilidade por medo de serem linchados”, frisa. O artigo 304 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB) prevê que é crime “deixar o condutor do veículo, na ocasião do acidente, de prestar socorro à vítima, ou, não podendo fazê-lo diretamente, por justa causa, deixar de solicitar auxílio da autoridade pública”. A pena é detenção de seis meses a um ano, ou multa, se o fato não constituir elemento de crime mais grave.

O titular da Dict conta, ainda, que muitos motoristas cometem constantemente o erro de fugir por medo de serem presos. Waldir Soares explica que a prisão só ocorre em situações nas quais o condutor está embriagado, não tem Carteira Nacional de Habilitação (CNH), pratica racha, transita com carro roubado, dirige em alta velocidade ou atropela pedestre na faixa, conforme prevê o CTB. “Entendemos que, nesses casos, há a intenção de matar”, afirma o delegado.

Como se não bastasse a omissão, não acionar o socorro é hábito entre condutores que se envolvem em acidentes. Segundo o delegado, o fato é percebido com frequência em depoimentos colhidos na Dict. “Normalmente é uma terceira pessoa que chama o resgate”, comenta Soares. Para ele, não ter noções de crimes de trânsito durante a formação de quem dirige veículos automotores é um dos fatores que colaboram com a imprudência.

Gravidade
É certo que, ao deixar de receber socorro, a sobrevida da vítima diminuiu. Em outras palavras, as chances de sobrevivência após um atropelamento, por exemplo, reduzem conforme o tempo passa sem a assistência necessária. O sub-comandante da Assessoria de Imprensa do Corpo de Bombeiros Militar de Goiás, tenente Eberson Holanda, explica que, quanto mais rápido o resgate for acionado, melhor para a vida da vítima. “Se deixam de fazer isso, o acidentado terá de esperar outra pessoa passar pelo local e entender o que aconteceu. Mas isso pode levar até mesmo horas, dependendo do local em que o acidente ocorra.”

Por isso, de acordo com Holanda, pequenas atitudes podem salvar vidas, a começar por parar e sinalizar o local do acidente, até mesmo para evitar que outra tragédia aconteça. Em seguida, deve-se ligar para o socorro e passar todas as informações sobre a situação da vítima para que os paramédicos possam ir auxiliando até que a ambulância chegue ao local. Essa ação serve, também, para ganhar tempo, já que este é fator predominante quando o assunto é salvar vidas.

O sub-comandante assegura que, apesar de a população não possuir muitos conhecimentos em primeiros socorros, atitudes como essas possibilitarão que a vítima tenha mais chance de sobreviver. No entanto, Holanda chama a atenção para alguns cuidados indispensáveis. “Por mais que as pessoas tenham boa vontade, é importante se atentar para não provocar outro acidente, devido a uma parada malfeita”, esclarece. A sinalização adequada deve ser feita de acordo com o km/h que a via permite. “Por exemplo, se naquele trecho o permitido é 80 km/h, o ideal é sinalizar a 80 metros do acidente. Em casos de neblina e chuva, é recomendável uma distância maior”, garante.

Outro ponto relevante, segundo Eberson Holanda, é tentar proteger a vítima e, se for o caso, colocá-la em local seguro. Lembrando que não se pode mexer no ferido de qualquer forma, daí a importância de se ter noções básicas de primeiros socorros. “Orientamos a não ficar movimentando a vítima e nem retirar o capacete, quando envolver motocicletas”, completa.


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