Guerrilha do Araguaia é foco de comissão

Chamou atenção da Comissão da Verdade Goiás sofrer com ausência de documentos da ditadura militar

Em 13/07/2012, 00:22

Integrantes da Comissão Nacional da Verdade (CNV) estiveram ontem em Goiânia para audiência pública e evidenciaram a necessidade de trazer à tona os detalhes da Guerrilha do Araguaia, que ocorreu durante a ditadura militar (1964-1984). Criada pela presidente Dilma Rousseff em maio, a comissão tem o dever de dar explicações ao desaparecimento de presos políticos e torturados pela repressão que marcou os anos de chumbo. Goiás foi um dos Estados com maior presença militar. No entanto, a ausência de documentos sobre o que se passou chama a atenção da CNV.

A reunião de ontem, na Assembleia Legislativa, foi a primeira de uma série de audiências públicas que a comissão pretende realizar nos Estados. O integrante da comissão, ex-procurador-geral da República Cláudio Fonteles e o assessor especial Wagner Gonçalves vieram participar do debate. Este último é goiano e disse que a escolha de Goiás para sediar o primeiro encontro se deu por motivo estratégico e simbólico: “No arquivo nacional tem histórico de todos os Estados, mas falta muita coisa de Goiás. Fora isso, aqui foi o único Estado que sofreu intervenção direta na época da ditadura.”

Cláudio Fonteles, um dos sete integrantes escolhidos pela Presidência para compor a CNV, informou que as sondagens e investigações estão em fase macro, que seria de identificar os episódios mais desconhecidos pela história, mas sem aprofundar. O detalhamento vai ser feito por meio da parceria com os comitês regionais que devem fornecer todo o material e documentos, com os indícios das torturas e assassinatos cometidos na ditadura. “Em Goiás, por enquanto, pode-se dizer que a Guerrilha do Araguaia é um dos focos”, cita. Muitos dos combatentes que participaram da guerrilha permanecem desaparecidos e as famílias vivem com a aflição de desconhecer o paradeiro dos entes.

História

A Guerrilha do Araguaia ocorreu na década de 1970. A intenção dos combatentes era constituir movimento contrário ao regime vigente e derrubar o militarismo do poder. Baseada nas experiências da China (Revolução Chinesa) e Cuba (Revolução Cubana), a intenção era fomentar uma revolução socialista e iniciada no interior do País, especialmente no campo. A maioria das pessoas, de Goiás, Tocantins, Pará e Maranhão, morreu em combate ou foi executada em presídios.

Desaparecidos

A audiência pública foi coordenada pelo Comitê Goiano da Verdade, Memória e Justiça. Alguns dos integrantes foram torturados e presos no período ditatorial. Conforme levantamento do comitê, existem pelo menos 15 goianos que lutaram contra o militarismo e foram assassinados, sem a divulgação do paradeiro dos corpos. As famílias de alguns deles foram ao encontro ontem para conhecer como vai ser realizado o trabalho da Comissão da Verdade, que tem dois anos para elucidar os casos.


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