Pão ficará mais caro nos próximos dias

Quebra na lavoura de trigo, alta do dólar e reajuste da taxa de energia elétrica motivam aumento de até 20%
André Passos
Em 13/07/2012, 00:18

O consumidor vai pagar mais caro no preço do pão francês já nos próximos dias. A alta pode ficar entre 15% e 20%. O reajuste é provocado pela alta do dólar, que tem impacto direto no preço do trigo e da farinha, pelo reajuste nas tarifas de energia elétrica para a indústria e pela queda na produção de trigo nas principais fontes produtoras da matéria-prima para o Estado.

Presença garantida no café da manhã dos brasileiros, os pães e derivados do trigo não têm reajustes nos preços desde dezembro de 2010, de acordo com o presidente do Sindicato das Indústrias de Panificação e Confeitaria de Goiás (Sindipão), Luiz Gonzaga de Almeida. “Nesses 18 meses houve decréscimo no preço, registrando queda de 2,46% até maio”, diz.
Desde janeiro, a inflação apurada em Goiânia pela Superintendência de Estatísticas, Pesquisa e Informações Socioeconômicas (Sepin) da Secretaria de Gestão e Planejamento (Segplan) mostra estabilidade no preço do pão. O preço médio do quilo do alimento é de R$ 6,91 no mercado goiano. Com a alta, o valor do quilo pode subir para algo em torno de R$ 7,90 a R$ 8,30.
Como commodity, a moe­da de compra do trigo é o dólar, que valorizou 8,33% só esse ano, segundo o Banco Central. Almeida diz que no começo do mês houve gran­de variação no preço da farinha de trigo. “Com altas dos últimos 12 meses, o trigo ficou 25% mais caro por conta do dólar”, diz ele, completando que o repasse não foi de imediato graças aos estoques das panificadoras. “Temos sempre orientado que todos mantenham estoques sempre cheios”.

As tarifas de energia para grandes consumidores, caso das indústrias de panificação, foram reajustadas em 21% no dia 29 de junho. Somando-se às altas, os trabalhadores do setor tiveram duas databases desde 2010 e os salários cresceram 15,56%.
Almeida diz que o setor investiu muito em outros serviços aumentando o portfólio de produtos e elevando a produtividade. “Com esse ganho em produtividade o setor conseguiu não precisar repassar reajustes dos custos ao consumidor”.
Segundo o Sindipão, Goiás tem 2.100 panificadoras sendo que Goiânia concentra 800 delas e 350 estão na região do entorno. O consumo de pães (todos os tipos) no Estado é de 22 quilos per capta. A média do brasileiro é de 33,5 quilos por pessoa.


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