Já faz quatro meses que a casa de Izabel Cristina de Souza, 28, foi interditada pela Defesa Civil de Goiânia. As fortes chuvas de março abalaram a estrutura da residência, que fica às margens de um barranco na Vila Maria Luiza, e a jovem foi obrigada a deixar o local com os dois filhos pequenos. Sem ter condições de pagar aluguel, ela morou de favor duas vezes. Neste período, a esperança de poder reconstruir a vida em um novo lar é o que motiva a dona de casa. No entanto, o sonho parece cada vez mais distante enquanto os órgãos competentes parecem se esquecer da realidade não só de Izabel, mas de cerca de 469 famílias que, assim como a moça, viviam nas 16 áreas de risco da Capital até o início deste ano.
A história de Izabel é uma entre centenas. Apesar de viverem na Rua Liberdade, os moradores marcados pelo risco de perderem suas casas estão ilhados. A dona de casa Maria de Jesus, 26, a Neguinha, mora na mesma casa há 12 anos e já viu a chuva causar muita destruição por aquela região. Com algumas reportagens em mãos sobre o problema, ela conta que liga constantemente na Secretaria Municipal de Habitação (Smhab), mas sem receber a resposta que deseja. “Eles falaram que estavam resolvendo a situação do Residencial JK (Juscelino Kubitschek), então se esqueceram de nós”, afirma.
Para Neguinha, mesmo com a falta de infraestrutura do bairro, ainda era possível ser feliz morando ali, mas ela garante: “A felicidade está descendo por água abaixo desde que começamos a sentir medo de viver nesse lugar”. A dona de casa Magda de Morais Silva, 35, entende bem a afirmação da vizinha, já que passou por duas enchentes no pouco tempo de moradia na Vila Maria Luiza. Ela também espera pelo cumprimento da promessa feita pela Prefeitura de Goiânia, de retirar as famílias que vivem em áreas de risco e colocá-las em lugares seguros. “Meu maior sonho é sair desse lugar, se eu tivesse condições financeiras já teria ido embora daqui há muito tempo, mas dependemos da boa vontade de quem está no poder”, comenta.
No bairro é onde está concentrado o maior perigo, de acordo com a Defesa Civil municipal, justamente por haver o risco de desabamento de uma encosta. O chefe do Setor de Apoio Administrativo do órgão, Edno Clésio Costa, avalia que ali o risco é permanente, independente das chuvas, e que isso torna ainda mais urgente a retirada das famílias. De forma geral, Costa avalia que a realidade de boa parte dessas pessoas é não ter condições financeiras, nem para onde ir. “Por isso estão à espera de ajuda”, frisa.
Além da Vila Maria Luiza, as áreas de risco estão nos bairros Vila Roriz, Vila Fernandes, Vila Coronel Cosme, Vila Santa Ifigênia, Setor Emílio Póvoa, Vila Monticelli, Conjunto Caiçara, Setor Urias Magalhães, Vila Bandeirantes, Setor Perim, Vila Maria Rosa, Setor dos Funcionários, Setor Grande Retiro, Setor Norte Ferroviário, e um só ponto de risco nos setores Finsocial, Hortência e Jardim Curitiba, situados às margens do Córrego Fundo. Um dos maiores desafios, segundo Costa, é que algumas famílias não querem deixar suas casas. “Mas, mais dia, menos dias, essas pessoas serão retiradas de lá”, assegura.