Na ausência de alternativa, o jeito é os moradores do Residencial Irisville, em Goiânia, enfrentarem a poeira, o calor, a estrada de terra e caminhar pouco mais de um quilômetro até a GO-010, onde fica o ponto de ônibus mais próximo. A dificuldade de locomoção é o principal problema enfrentado pelas pessoas, que foram contempladas pelo programa Minha Casa, Minha Vida e moram nas casas populares do bairro. Quando se inscreveram no projeto, elas receberam a promessa de que, assim que recebessem a moradia, toda a infraestrutura seria garantida. No entanto, não é isso o que se vê. E enquanto o trecho que dá acesso ao bairro não for pavimentado, a linha de ônibus não será disponibilizada.
Para amenizar a dificuldade, desde que o Irisville foi inaugurado, em fevereiro deste ano, a Prefeitura disponibilizou uma van para transportar gratuitamente as pessoas no trecho sem asfalto. A condução leva os moradores até a rodovia, mas em dois horários específicos e só de segunda a sexta-feira. Ela opera entre 5 horas e 9 horas e, depois, entre 16 horas e 21 horas. Nos finais de semana, aqueles que não têm carro ou moto ficam limitados às grades do bairro ou se sujeitam a enfrentar a poeira para fazer alguma coisa fora de casa. Além disso, outra crítica pontuada pelos moradores é sobre o horário de funcionamento da van, que não contempla as crianças que estudam à tarde e tem de ir para a escola na hora do almoço.
A reportagem visitou o bairro na tarde de terça-feira (10), e antes de chegar encontrou várias pessoas pelo caminho. Algumas carregando sacolas, mochilas, bolsas, se arriscando meio aos carros que passavam em alta velocidade, cujos motoristas pareciam não se importar com a poeira levantada. Uma delas era a vendedora Isabel Ferla, de 51 anos, que retornava de uma viagem que fez com a neta Lívia Brasil, de 4. A avó arrastava consigo a bagagem, segurando a mão da garota e tentando esquecer o sol das 15h30. “Esse problema aqui é sério. Da porta da minha casa até a rodovia dá um quilômetro e meio. Já medi. Eu faço esse trajeto pelo menos quatro vezes por semana”, conta.
As 391 casas do Irisville foram entregues aos moradores em fevereiro. Elas foram construídas com verba federal, em um total de R$ 1.901.341,54, conforme placa afixada no início da estrada de chão. Os proprietários parcelaram o valor da casa junto à Caixa Econômica Federal de maneiras variadas. No caso de Isabel, ela vai pagar mensalmente 50 reais pelos próximos dez anos. “Não fosse o problema do asfalto e da locomoção, isso aqui seria perfeito. É calmo, as pessoas são boas e o lugar, apesar do isolamento, é bacana”, diz. A vendedora está há um mês e meio no bairro. Antes, residia no Jardim Guanabara e pagava 350 reais de aluguel. Ela aguarda ansiosa pelo asfalto, que teria sido prometido para agosto.