Manifestantes entram em confronto com PM e carros de reportagem são quebrados

Durante manifestação na porta do Paço Municipal, parte das pessoas que estava no protesto usou violência contra imprensa
Augusto Diniz com informações de Lyniker Passos, Wesley Costa e Danilo Bueno
Em 24/06/2013, 23:22

A manifestação contra a PEC 37, por melhorias pela educação, saúde, transporte público e contra o foro privilegiado para políticos seguia até o Paço Municipal pela BR-153 na noite desta segunda-feira (24), quando houve início de confronto com a Polícia Militar (PM). Segundo informações de pessoas, PM e repórteres que acompanham o protesto, um carro da TV Serra Dourada, dois da TV Anhanguera e outro do jornal O Popular foram quebrados por manifestantes. Manifestantes também atiraram pó de extintor de incêndio contra equipe do O Hoje. Até o momento, duas pessoas foram detidas.

Uma câmera da Rede Record foi tomada por um policial da inteligência. No momento da ação, o equipamento estava com um motorista, que registrava a manifestação. Horas depois, a PM teria devolvido a câmera na sede da emissora.

A repórter Marianna Martins, da TV Serra Dourada, fez o seguinte relato em seu perfil no Facebook: “Eu e o cinegrafista Iron Júnior estávamos trabalhando, cobrindo a manifestação em frente ao Paço Municipal, quando fomos informados por um policial do serviço de inteligência que um dos carros da emissora foi destruído por vândalos. Além do estrago, ainda roubaram equipamentos da câmera, material de trabalho. Lamentável ver que criminosos se infiltram nos protestos e agem dessa forma.”

Antes de chegar ao Paço

Segundo a PM, uma pessoa foi detida quando os manifestantes passaram, por volta das 18h, perto do terminal Praça da Bíblia, na Avenida Anhanguera. Segundo os policiais, entre 2 mil e 3 mil pessoas seguiam da Praça Cívica até o Paço Municipal e entraram em confronto com o cordão de isolamento na frente do terminal. “Pessoas jogaram pedras e bombas contra os policiais, inclusive uma policial atingida no peito e levada para o Hugo (Hospital de Urgências de Goiânia)”, contou o aspirante.

Questionada sobre a quantidade de policiais que trabalharam no acompanhamento do manifesto e para controlar manifestantes mais exaltados, a PM informou que usou o contingente “suficiente na ação”, sem precisar ou informar um número aproximado.

Os manifestantes tentaram entrar no terminal, ação que foi impedida pela PM. Um deles foi preso. Segundo o policial da 37ª CIPM, até então a manifestação era pacífica. Policiais precisaram proteger um repórter da TV Anhanguera, que teria sido insultado por pessoas que participavam do protesto.

Ainda no Centro, lixo foi queimado e os manifestantes paravam ônibus na Anhanguera e pediam para as pessoas descerem dos ônibus e participarem do protestos.

Concentração inicial

Na mesma intenção de ser uma movimentação sem liderança e com várias causas, o grupo até 3 mil pessoas, segundo a PM, e de aproximadamente 5 mil, de acordo com quem participava da movimentação, se reuniu no coreto da Praça Cívica e desceram a Avenida Araguaia e seguiram para a Avenida Anhanguera por volta das 17h.

Com várias causas, entre elas a PEC 37, que tira poder investigatório do Ministério Público, manifestantes foram até o Paço Municipal, onde houve confronto com a PM e carros de reportagem foram quebrados por alguns manifestantes. O grupo possivelmente não tinha mais do que 400 pessoas quando chegou ao Paço. Convocada mais uma vez pelas redes sociais na internet, desta vez o Movimento Passe Livre não participou do protesto.

Segundo a PM, parte dos manifestantes tentou agredir os policias na entrada da Prefeitura, quando a tropa de choque jogou bombas de gás lacrimogêneo e disparou tiros de bala de borracha para o alto. Imagens ao vivo na Rede Record mostraram o momento em que um dos jovens sentou na frente dos policiais e acabou sendo mobilizado e levado para depois do cordão de isolamento na frente do Paço. Policias relataram que comércio e vidros de agências bancárias foram pichados.

Quando a manifestação parecia ter acabado e o tumulto encerrado, pessoas jogaram pedras novamente contra policiais e queimaram pneus na BR-153. A PM revidou com tiros de bala de borracha, bombas de gás lacrimogêneo, avançou sobre o grupo menor de pessoas que participou do ato violento com cães, equipe da cavalaria. Ônibus e um posto de combustíveis ficaram danificados pela ação de parte dos manifestantes, que logo em seguida quebraram os vidros da entrada da TV Serra Dourada.

Rodovia interditada

No início da noite, por volta das 19h, os dois sentidos da BR-153, nas proximidades de Paço Municipal, foram interditados para passagem dos manifestantes. A rodovia foi liberada depois de cerca de três horas fechada. O trânsito, que estava “caótico”, segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), já foi normalizado, mesmo com a interdição no trecho. Segundo a PRF, muitos motoristas desviaram seus trajetos para evitar passarem nas proximidades do prédio da Prefeitura.

Ao final da manifestação, a PM disse lamentar as ações violentas ocorridas e culpou "pessoas que se infiltram no meio do movimento" por agressões contra policiais e vandalismo nas ruas e comércio. Para a polícia, é lamentável que "vândalos" se utilizam de um protesto "legítimo" para agir individualmente sem pensar no coletivo.


EDIÇÃO DIGITAL


Ed. 2422 de 25/06/13





TWEETS @JORNALOHOJE


© 2012 - Jornal O Hoje - Todos os direitos reservados.
Reprodução parcial permitida desde que citada a fonte.
Home | Anuncie | Fale Conosco