O chanceler da Venezuela, Nicolás Maduro, declarou ontem, ao chegar a Quito, capital do Equador, que irá propor "um plano e uma metodologia" para restabelecer a paz com a Colômbia, enquanto seu congênere colombiano, Jaime Bermúdez, expressou que não tem maiores "expectativas" com a reunião de chanceleres dos países da União de Nações Sul-americanas (Unasul) que começou ontem.
A reunião extraordinária da Unasul foi pedida pela Venezuela para discutir o conflito que mantém com a Colômbia, depois que o presidente Hugo Chávez rompeu as relações diplomáticas com Bogotá em 22 de julho, após o governo do presidente colombiano Alvaro Uribe ter denunciado na Organização dos Estados Americanos (OEA) que guerrilheiros colombianos encontram refúgio em território da Venezuela.
A Venezuela irá propor "um plano e uma metodologia para construir todo o caminho para uma paz justa e necessária. Nós acreditamos que chegou a hora de retomar o caminho da paz com a Colômbia", disse Maduro quando chegou a Quito.
Por sua vez, o chanceler da Colômbia, quando chegou ontem a Quito, assinalou que "a verdadeira paz não consiste em interferir nos assuntos internos de outro país, um plano verdadeiro se baseia na captura de criminosos onde quer que eles estejam. A verdadeira paz se baseia em não permitir que sejam alojadas (as guerrilhas colombianas) em nenhum lugar do mundo".
Bermúdez disse, ainda em Bogotá, não ter "maiores expectativas com a reunião". Segundo ele, o secretário-geral da Unasul, o ex-presidente argentino Néstor Kirchner, não participará da reunião em Quito e vários chanceleres delegaram a participação no encontro a seus vices. "Nos telefonemas que fiz e nas conversas que tivemos com outros chanceleres da região, encontrei alguns que não consideram conveniente esta reunião", disse Bermúdez. Ele não detalhou quais dos 12 países que formam a Unasul consideram inconveniente a reunião.
"A Colômbia vai insistir no que para ela é uma necessidade, um mecanismo concreto e eficaz para evitar que as guerrilhas das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e do Exército de Libertação Nacional (ELN) estejam na Venezuela", disse o chanceler colombiano em entrevista à Rádio Caracol da Colômbia. (Agência Estado)