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quinta-feira, 29 de julho de 2010, 00:15

É tempo de paz, não de guerra

O tempo “é de paz, não de guerra’, declarou ontem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao comentar as tensões entre Colômbia e Venezuela. “Pretendo conversar muito com o (Hugo) Chávez, muito com o Santos (Juan Manuel Santos, presidente eleito da Colômbia), porque eu acho que o tempo é de paz, e não de guerra”, disse Lula, depois de receber o presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, no Palácio do Itamaraty. “Ainda não vi conflito. Eu vi conflito verbal, que é o que nós ouvimos mais aqui nessa América Latina”, afirmou Lula.

O presidente disse que, no dia 6 de agosto, participa de reunião bilateral com Hugo Chávez e que depois segue para a Colômbia, onde pretende acompanhar a posse de Santos e conversar tanto com ele quanto com o atual presidente colombiano, Álvaro Uribe. “Temos de restabelecer a normalidade nas relações entre Venezuela e Colômbia, porque são dois países importantes para nós da América do Sul, são duas grandes economias, são dois países que têm grandes fronteiras.”

Ortega, por sua vez, defendeu diálogo entre Colômbia e Venezuela para a resolução das tensões entre os dois países. Para Ortega, os governos de Hugo Chávez e Álvaro Uribe são “irmãos” e podem chegar a uma solução pacífica. “Estamos convencidos de que, pela complexidade que se apresenta, há condição de buscar a paz e a estabilidade entre povos irmãos como a Venezuela e a Colômbia”, disse, em discurso no Palácio do Itamaraty.

Na segunda-feira, 26, o chanceler venezuelano Nicolás Maduro discutiu com o Brasil um plano de paz para a resolução da crise instalada entre Venezuela e Colômbia. Maduro encontrou-se em Brasília com Lula e o secretário-geral do Itamaraty, Antônio Patriota, dando início a um rápido giro pelos países vizinhos, com o intuito de discutir um plano de paz que deve ser apresentado hoje, na reunião da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), em Quito. “Como todos sabem, o nosso governo é de paz, com vocação sul-americanista, latino-americanista”, disse Maduro, após sair da reunião no Centro Cultural Banco do Brasil, sede provisória do governo. “O presidente Chávez é um combatente pela união e integração (sul-americana).”

Chávez rompeu as relações diplomáticas da Venezuela com a Colômbia depois que o embaixador colombiano na Organização de Estados Americanos (OEA) apresentou denúncia sobre a suposta presença de guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e do Exército de Libertação Nacional (ELN) em território venezuelano. A tensão cresce às vésperas da posse de Juan Manuel Santos, que assumirá o governo da Colômbia no próximo dia 7. (AE)

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