O Paquistão ordenou ontem que quase meio milhão de pessoas deixem suas cidades, pois as crescentes enchentes ameaçam causar mais problemas no país, que tenta lidar com o desastre humanitário. As torrenciais chuvas de monção geraram grandes enchentes, que afetaram um quinto do país - uma área quase do tamanho da Inglaterra -, em uma zona onde um funcionário dos EUA advertiu que os funcionários humanitários estrangeiros estão sob ameaça de ataques do Taleban.
A catástrofe humanitária afetou mais de 17 milhões de pessoas. Funcionários advertem que milhões correm riscos, por causa de doenças trazidas pela água e pela falta de comida. A Autoridade Nacional de Gerenciamento de Desastres informou que 1.600 mortes foram confirmadas e 2.366 pessoas ficaram feridas em quatro províncias do Paquistão, na parte paquistanesa da Caxemira e no distrito de Gilgit-Baltistan, no norte do país.
Na província de Sindh, no sul, onde as enchentes varreram grandes trechos de terra apropriada para a agricultura, de que a economia local depende, um alto funcionário notou que mais enchentes ameaçam três cidades. “Advertimos as pessoas de Sujawal, Mirpur Bathoro e Daro para partir para lugares mais seguros, por causa das possíveis enchentes ali”, disse Hadi Bakhsh Kalhoro, alto funcionário no distrito de Thatta. Ele acrescentou que as cidades têm uma população aproximada de 400 mil pessoas.
O ministro da Irrigação de Sindh informou que as águas estão pressionando cada vez mais uma barreira na vila de Garhi Khuda Bakhsh, onde os ex-líderes Benazir Bhutto e seu pai, bem como dois irmãos mais novos dela, estão enterrados. “Fortalecemos as barreiras, porque não queremos que o mausoléu de nossos mártires seja inundado”, disse o ministro provincial Saifullah Dharejo. (AE)