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terça-feira, 27 de julho de 2010, 00:46

UE adota novas sanções contra Irã

Com o pacote mais duro contra um país estrangeiro já adotado pela União Europeia (UE) em sua história, o bloco impôs ontem novas sanções contra o Irã, em uma tentativa de forçar Teerã a negociar e ignorando a mediação de Brasil e Turquia. Logo depois, o Irã respondeu anunciando em carta à Organização das Nações Unidas (ONU) que está disposto a negociar “sem impor condições”.

Apesar de apelar por novas negociações sobre o dossiê nuclear iraniano e aceitar a oferta de Teerã de voltar a dialogar, a UE nem sequer citou em sua resolução fechada entre os 27 países do bloco o acordo entre Brasil, Turquia e Irã - assinado em maio e que estabelece um padrão de troca de urânio. O acordo já havia sido rejeitado por EUA, Reino Unido e França.

Na resolução, Bruxelas pede que Teerã volte a conversar com o grupo original de negociadores formado por EUA, Rússia, China, França, Reino Unido e Alemanha. Para a UE, a base de um entendimento é o acordo que Bruxelas propôs em julho de 2008, e não o que foi mediado pelo Itamaraty.

“O Conselho da Europa apela ao Irã que aproveite essa oportunidade para acertar uma data concreta para negociações com a Europa e com os seis países’, diz o texto da resolução. Para tentar mostrar que não aceitará apenas dialogar sem resultados, Bruxelas decidiu que investimentos e atividades no setor de petróleo, refinarias, gás natural, bancos, comércio e transporte marítimo no Irã passam a ser proibidas.

As medidas afetarão os interesses brasileiros, já que um número importante de empresas nacionais mantém sua relação com o Irã por meio de intermediários europeus. Contas de certas empresas iranianas serão congeladas em bancos europeus, aviões de carga serão proibidos de pousar em aeroportos da UE e empresas marítimas nem podem entrar em águas territoriais europeias. “Mandamos uma mensagem poderosa”, afirmou Catherine Ashton, chefe da diplomacia europeia. (AE)

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