Do lado iraniano, o governo enviou ontem uma carta para a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA, subordinada à ONU) anunciando sua disposição de negociar com os europeus. A carta era uma resposta a EUA, Rússia e França sobre os termos do acordo sobre troca de urânio com Brasil e Turquia.
No entanto, seu conteúdo foi além. Segundo Ali Asghar Soltanieh, representante do Irã na AIEA, a mensagem de Teerã foi “clara”. “Estamos mostrando nossa disposição total de realizar negociações sobre o combustível para o reator em Teerã, sem impor nenhuma condição”, disse o representante.
Ashton disse estar satisfeita com as declarações no Irã. “Isso é um bem-vindo. Espero que venham a negociar o mais rápido possível”, disse. Mas alertou que quer sinais claros do Irã de que não está “fazendo jogo”. O gesto iraniano foi visto pelos EUA com desconfiança e como uma atitude desesperada para evitar as sanções.
No domingo, 25, o chanceler Celso Amorim esteve na Turquia para uma reunião com os iranianos e turcos, dois meses depois de chegar a um acordo sobre a troca de urânio enriquecido. Ontem, o Itamaraty recebeu uma cópia da carta. (AE)