Pelo menos 72 cadáveres foram encontrados em uma comunidade rural do norte do México, após tiroteio entre supostos narcotraficantes em que um militar e três suspeitos morreram na terça-feira, 24, segundo a Marinha do país. Os cadáveres de 58 homens e 14 mulheres foram achados ao sul da cidade de Matamoros, que faz fronteira com a norte-americana Brownsville.
O Ministério das Relações Exteriores (MRE) do Brasil recebeu ontem, no início da tarde, um comunicado do governo mexicano informando que pelo menos quatro brasileiros estão entre os mortos da chacina ocorrida no estado mexicano de Tamaulipas. Ainda não há informações sobre a identidade dos brasileiros e nem o número exato deles entre os 72 corpos.
De acordo com o Itamaraty, há pessoas de várias nacionalidades entre os cadáveres. A Embaixada do Brasil no México, segundo o MRE, enviou funcionários ao local. Até o fechamento desta edição, as agências internacionais, incluindo a Agência Brasil, não passaram mais informações.
Uma testemunha afirmou, ontem, que os 72 mortos eram imigrantes ilegais, que haviam sido sequestrados por um grupo armado. A informação foi atribuída a um homem que se identificou como um imigrante ilegal equatoriano que conseguiu escapar do massacre. O testemunho foi divulgado por um funcionário federal mexicano, que pediu anonimato.
Horas depois, o governo mexicano levantou a possibilidade de os mortos serem oriundos de países como Brasil, El Salvador, Equador e Honduras que teriam sido mortos pelo cartel de Los Zetas. Alejandro Poiré, porta-voz do governo, baseou a especulação no relato do sobrevivente.
Poiré salientou que ainda não foi possível confirmar a identidade dos mortos, mas afirmou que o México está em contato com autoridades dos países mencionados pelo sobrevivente para que colaborem. O número de corpos descobertos ontem aparentemente é o maior já encontrado pelas autoridades na guerra contra o narcotráfico desde que o presidente Felipe Calderón lançou uma ofensiva para enfrentar o problema, em 2006.
“O governo federal condena categoricamente os atos de barbárie que cometem as organizações criminais e ratifica seu compromisso com o Estado de Direito”, afirmou a Marinha em um comunicado. “Toda a sociedade deve condenar este tipo de atos, que ilustram a absoluta necessidade de seguir combatendo o crime com toda firmeza.”
Os cartéis mexicanos da droga utilizam com frequência terrenos baldios para abandonar pilhas de cadáveres de rivais executados ou de vítimas de sequestro. A Marinha não informou detalhes sobre as identidades das vítimas, nem sobre possíveis responsáveis.
Os cadáveres foram descobertos quando um homem ferido chegou a um posto da Marinha em uma rodovia no Estado de Tamaulipas, no norte mexicano, e disse que havia sido atacado por homens a mando de narcotraficantes em um local próximo. O homem está sob proteção de autoridades federais.
Violência já matou mais de 28 mil
Mais de 28 mil pessoas foram mortas pela violência relacionada ao narcotráfico, desde o início da ofensiva, em 2006. Enquanto isso, autoridades informaram que a causa do assassinato recente de um prefeito no norte mexicano foi culpa do cartel Los Zetas.
O procurador do Estado de Nuevo León, Alejandro Garza y Garza, disse em entrevista coletiva à imprensa que o prefeito de Santiago, Edelmiro Cavazos, havia sancionado agentes de trânsito por cancelarem sem motivo infrações de pessoas que faziam motociclismo, o que deixou essas pessoas furiosas e fez com que elas se queixassem para um líder local de Los Zetas.
O vínculo se estabeleceu em interrogatórios de sete policiais municipais detidos por suposta participação no crime de Cavazos, sequestrado em 15 de agosto e que três dias depois apareceu morto. Em Guerrero, no sul do país, a polícia localizou na terça-feira os corpos de dois homens dependurados, em uma ponte de uma rodovia que leva para Acapulco.
Em julho, a polícia encontrou 51 cadáveres em dois dias, em um terreno próximo a um lixão nas proximidades de Monterrey, norte do país. Aparentemente, muitas das vítimas eram narcotraficantes rivais. Os cartéis, porém, costumam também abandonar corpos de sequestrados nesses lugares. (Agência Estado com Agência Brasil)