Um navio libanês com ajuda humanitária e mulheres ativistas que esperam romper o bloqueio israelense à Faixa de Gaza partirá no domingo do Líbano, disseram as organizadoras da viagem ontem, apesar das advertências de que o barco não poderá passar além da ilha do Chipre. O navio não pode ir diretamente do porto de Tripoli, no norte do Líbano, à Faixa de Gaza, porque tecnicamente o Líbano permanece em estado de guerra com Israel.
Por isso, o navio precisa ir à ilha do Chipre antes de se dirigir ao território palestino bloqueado. Ontem, o embaixador cipriota em Beirute, Kyriacos Kouros, disse que o navio Mariam será obrigado a regressar ao Líbano antes de aportar no Chipre. “Decidimos não permitir que esse barco aporte no Chipre. Se ele atracar em um porto cipriota, a tripulação e os passageiros serão deportados a seus países de origem”, afirmou Kouros. Segundo ele, seu país tem “responsabilidade moral e legal” com os que entram em suas águas territoriais e um navio que tenta violar um bloqueio poderia colocar em risco vidas, além da “paz e estabilidade” na região.
Não obstante, a organizadora da viagem, a libanesa Samar al-Hajj, disse que o navio, chamado Mariam em homenagem a Santa Maria, partirá com 75 mulheres ativistas para entregar medicamentos contra o câncer, livros e brinquedos à Gaza. “Não somos crianças às quais se ordena que fiquem em casa”, disse ela. (AE)