Três bombas explodiram ontem no meio de uma procissão xiita, na cidade de Lahore, leste do Paquistão, matando 25 pessoas e ferindo pelo menos 150. O ataque parece fazer parte da campanha de extremistas sunitas contra e minoria xiita, considerada infiel. As bombas explodiram em três locais diferentes enquanto 35 mil xiitas marchavam pelas ruas de Lahore, parte de uma tradicional procissão em homenagem ao califa Ali, um dos homens santos mais respeitados para os xiitas, disse Khusro Pervez, principal funcionário administrativo da cidade.
O primeiro explosivo foi uma bomba-relógio detonada perto de um importante edifício xiita, disse Zulfiqar Hammed, oficial da polícia de Lahore. Logo depois, um jovem que parecia ter 18 anos se explodiu em meio a xiitas que preparavam alimentos para as pessoas que estavam na procissão, já ao anoitecer, para quebrar o jejum do Ramadã. Um segundo suicida detonou seus explosivos perto de uma esquina, já no final da procissão.
Taiq Salim Dogar, chefe de polícia da província de Punjab, disse que, pelo menos, 150 pessoas ficaram feridas e que o número de mortos pode aumentar. O primeiro-ministro Yousuf Raza Gilani condenou os ataques em comunicado e disse que o grupo responsável não escapará da justiça.
Imagens da primeira explosão divulgadas pela emissora Geo mostram uma pequena explosão, seguida por uma nuvem de fumaça, no meio da multidão. Centenas de pessoas saíram correndo, enquanto outras levaram os feridos para um local seguro. Muitos xiitas, furiosos com o ataque, incendiaram uma delegacia e dois carros da polícia. A polícia teve que disparar gás lacrimogêneo e atirar para o alto para dispersar as multidões.
HISTÓRICO
Extremistas sunitas do Paquistão tem um histórico de ataques à minoria xiita, a não muçulmanos e a outros grupos que consideram inaceitáveis. Uma bomba explodiu perto de um veículo policial na cidade de Shabqadar, noroeste do Paquistão, matando um pedestre e ferindo 15 pessoas, dentre elas um policial.
Os ataques ocorreram depois que jatos e helicópteros do Exército paquistanês atacaram esconderijos militantes perto da fronteira com o Afeganistão, matando 60 pessoas, identificadas como insurgentes ou seus familiares. Há crianças entre os mortos, segundo testemunhas e integrantes das forças de segurança. (Agência Estado)