O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, ofereceu, ontem abrigo político para a iraniana Mohammedi Ashitiani, de 43 anos, condenada à morte por apedrejamento, em razão de suposto adultério. “Eu tenho que respeitar a lei de um país, mas se vale minha amizade e o carinho que tenho pelo presidente do Irã (Mahmoud Ahmadinejad) e pelo povo iraniano, se esta mulher está causando incômodo, nós a receberíamos no Brasil”, afirmou.
O presidente tocou no assunto ontem, em Curitiba (PR), após criticar os EUA por repudiar a sua tentativa de negociar a paz no Oriente Médio. “Parece que tem mais gente trabalhando contra a paz do que trabalhando pela paz”, destacou. “Já que minha candidata é uma mulher eu queria fazer um apelo a meu amigo Ahmadinejad, ao líder supremo do Irã e ao governo do Irã”. Logo depois, explicou a centenas de pessoas que se postaram na Boca Maldita para ouvi-lo, que, no Irã, o adultério é punido com a morte por apedrejamento.
Ele reconheceu que estava em situação difícil porque se tratava de falar da soberania de um país. “Acho que é coisa muito grave o que está acontecendo”, disse. “Nada justifica o Estado tirar a vida de alguém, só Deus dá a vida e só Ele é que deveria tirar a vida.” Lula disse que já tinha feito outros apelos a favor de brasileiros condenados à morte, em favor de uma francesa também no Irã e em favor de americanos. ‘Mas os americanos também tem que liberar companheiros do Irã”, ponderou.
A forte pressão internacional acabou convencendo o governo do Irã a não executar, no início de julho, por apedrejamento, Mohammedi Ashitiani, condenada à morte por adultério em 2006.
No mesmo período, a mulher recebeu 99 chicotadas em praça pública e mesmo tendo escapado do apedrejamento, não tem garantias de que continuará viva ou se será executada, por exexemplo, por enforcamento. Presa em Tabriz, no nordeste do Irã, ela garante ter sido obrigada a confessar o crime.
O jornal britânico Times lançou uma campanha para anular a execução da iraniana, inclusive publicando uma carta aberta assinada por nomes famosos da política e das artes, entre eles, o da antiga secretária de Estado Condoleezza Rice, três ex-chanceleres britânicos e José Ramos Horta, presidente do Timor Leste e prêmio Nobel da Paz. (Agência Estado com informações do site RFI Português)