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Lauro Veiga

sexta-feira, 27 de agosto de 2010, 00:50

Massa de salários garante elevação para a economia

Para quem temia que a atividade econômica pudesse entrar em uma fase de estagnação, depois dos resultados modestos colhidos no segundo trimestre deste ano, os números sobre o mercado de trabalho em julho, divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontam precisamente o contrário. Nas seis regiões metropolitanas pesquisadas pela instituição, a massa de salários, que representa o total de salários pagos aos trabalhadores, demonstrou vigor renovado, puxada pelo avanço do rendimento médio habitualmente recebido pelas pessoas ocupadas e por uma ligeira variação positiva do emprego na comparação com junho.

A soma de todos os rendimentos recebidos pelas pessoas com algum tipo de ocupação atingiu R$ 32,323 bilhões no mês passado, crescendo 3% em relação a junho e 8,7% na comparação com julho de 2009 em termos reais (ou seja, já descontada a inflação). Na comparação mensal, foi a maior variação observada desde setembro de 2004, quando a massa salarial havia aumentado 3,1% em relação a agosto. Como tendência, a massa chegou a experimentar crescimento de apenas 0,5% em junho, depois de encolher 0,6% em maio, sempre em relação ao mês imediatamente anterior. O mesmo vale para a comparação anual, já que a variação registrada para os três meses anteriores havia estacionado ao redor de 6,6% a 6,7%.

Somente em julho mais R$ 932 milhões foram injetados nas economias daquelas regiões, tomando junho deste ano como referência. Na comparação com julho do ano passado, os salários receberam um reforço equivalente a R$ 2,598 bilhões. Os ganhos se explicam, em grande parte, pelo aumento de 2,2% no rendimento médio habitual entre junho e julho, com avanço de 5,1% em relação a julho de 2009.

O total de ocupados, quando considerada apenas a comparação mensal, manteve-se praticamente estável, com 22,020 milhões de pessoas, num avanço de 0,6%, refletindo a contratação de mais 142 mil trabalhadores. Em relação a julho do ano passado, no entanto, houve incremento de 3,2%, o que significou a abertura de 688 mil vagas.

Como o número de desocupados também praticamente não variou entre junho e julho, estacionando em 1,644 milhão de pessoas, a taxa de desemprego recuou levemente de 7% para 6,9%. Mas havia sido de 8% em julho de 2009, quando 1,854 milhão de pessoas não conseguiram encontrar uma colocação. Um dado positivo é que quase 60% das pessoas que deixaram a situação de desemprego tinham entre 25 e 49 anos, no auge da atividade, e 11 anos ou mais de instrução.

Como nota negativa, no entanto, de junho para julho, os trabalhadores por conta própria responderam por quase 75% das novas colocações e metade dessas podem ser classificadas como subocupações (bicos temporários) por insuficiência de horas trabalhadas. Não deixa de estranhar, portanto, que as contratações com carteira assinada tenham representado apenas 22,5% das novas vagas abertas no mês. Essa pode ser uma tendência apenas temporária, diante da perspectiva de crescimento desenhada para este segundo semestre. A conferir nas próximas pesquisas.

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