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Lauro Veiga

quarta-feira, 18 de agosto de 2010, 00:24

Dívida da Celg com setor elétrico sobe para R$ 4,7 bi

Enquanto o processo político cumpre seus prazos, num debate contaminado por questões eleitoreiras nos dois lados em disputa, o dado concreto é que a situação da Celg torna-se, a cada dia, mais dramática. A conta de resultados da holding CelgPar, que trouxe um prejuízo de R$ 270,742 milhões no primeiro semestre, já não reflete integralmente a real situação da empresa. A falta de caixa torna-se ainda mais evidente quando são analisadas algumas contas do passivo da empresa.

Conforme observado na coluna publicada na edição de ontem deste jornal, a direção da companhia manteve a opção, já adotada na gestão anterior, de financiar seu caixa via atrasos no pagamento de compromissos com fornecedores, com o governo do Estado e com o setor elétrico – ainda que a inadimplência em alguns desses casos importe em custos relativamente mais salgados do que a contratação de operações financeiras de curto prazo. Isso apenas demonstra as dificuldades crescentes que a empresa enfrenta para captar recursos no mercado.

O valor dos tributos estaduais e municipais a vencer e/ou vencidos e não honrados no curto prazo quase dobrou entre junho de 2009 e o mesmo mês deste ano, saltando de R$ 418,249 milhões para R$ 809,888 milhões. No total, incluindo impostos e contribuições federais, o saldo em atraso, lançado no passivo circulante, atingiu R$ 841,708 milhões, crescendo 74,6% em relação a junho de 2009. No caso do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), incluindo valores vencidos e a vencer, além de parcelas em atraso do imposto já renegociado, a conta subiu de R$ 476,856 milhões para R$ 842,857 milhões, numa variação de 76,75%.

Para complicar, os frequentes atrasos no pagamento de taxas intrasetoriais, a inadimplência crescente com a Eletrobrás e não pagamento de débitos renegociados com o setor elétrico (na maioria ampla dos casos, envolvendo créditos reclamados pela estatal federal) têm feito alargar a distância entre esses passivos e os créditos que a empresa poderá exercer quando regularizar sua situação.

Em dezembro do ano passado, a dívida da Celg D com a Eletrobrás atingia R$ 1,452 bilhão e subiu para R$ 1,561 bilhão seis meses depois, num avanço de 7,5%. O estoque não honrado de débitos renegociados e taxas regulamentares não recolhidas aumentou de R$ 2,828 bilhões para R$ 3,169 bilhões, saltando 12,06% no semestre. A soma dessas duas contas mostra que a Celg usou indevidamente R$ 450,696 milhões (que foi quanto cresceram as duas contas somadas entre dezembro de 2009 e junho de 2010) para se financiar. Esse total é 94% maior do que o crescimento registrado para o saldo dos créditos a recuperar.

Incluindo a dívida de R$ 1,618 bilhão do governo estadual e créditos relativos à reposição de despesas não gerenciáveis (R$ 764,018 milhões) e de subsídios a consumidores de baixa renda (R$ 268,112 milhões), além de créditos tributários de R$ 556,182 milhões, a empresa poderá recuperar quase R$ 3,207 bilhões (o que já é 32,2% menos do que ela deve apenas ao setor elétrico). Esse valor cresceu 7,8% desde dezembro, quando somava R$ 2,974 bilhões, o que significou um acréscimo absoluto de R$ 232,597 milhões, insuficiente para fazer frente ao salto de mais de R$ 450 milhões no estoque de taxas e compromissos em atraso com o sistema.

Detalhe final: para poder usar aqueles créditos, a empresa terá que regularizar sua dívida com Eletrobrás e demais credores do setor, honrando parte dela e renegociando o restante.

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