Tradicionalmente, o segundo semestre traz boas perspectivas de receitas para a indústria alimentícia, por causa das festas de fim de ano. A recuperação das exportações – tanto em volume quanto em preços – promete colaborar para o aumento das cifras das companhias no período. Entretanto, o que está no radar das indústrias do setor é a linha de custo de produção. As previsões de altas das principais matérias-primas, como o boi gordo, milho e soja, podem elevar as despesas e reduzir as margens das empresas.
No segundo trimestre, segundo analistas, o principal “vilão” dos balanços do setor foi o efeito cambial no resultado financeiro das companhias. As empresas se mostraram altamente alavancadas, consequência da consolidação do setor. No período, o real se valorizou 1,1% sobre a moeda norte-americana, ante uma desvalorização de 15,6% registrada no mesmo período do ano passado.
Entretanto, as margens Ebitda das companhias apresentaram elevação, respaldadas pela redução dos custos das principais matérias-primas. Entre abril e junho de 2010, segundo dados da BRF – Brasil Foods, o preço médio do milho – principal insumo para a ração de aves – no mercado interno teve queda de 15,5%, em relação ao mesmo período de 2009. Já o preço médio da soja – também utilizada na alimentação das aves, na mesma base de comparação, caiu 28%.
A única matéria-prima que apresentou elevação no segundo trimestre foi a arroba do boi gordo, que já se apresentou como fator de preocupação no período. Entre abril e junho, de acordo com informações da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (Esalq), o preço médio da arroba do animal ficou 2,12% superior aos mesmos meses de 2009.
MOVIMENTO INVERSO
Agora, para o segundo semestre de 2010, a tendência é que os custos das matérias-primas subam e pressionem negativamente as margens das empresas. Participantes do mercado aguardam, por exemplo, cotações mais altas do milho e da soja.
“A seca que assola a Europa e o embargo russo às suas exportações de grãos para atender seu mercado interno, aliados a uma provável imposição de cotas nas exportações ucranianas, nos indicam que os países que compõem a zona do euro poderão ter dificuldades para recompor suas ofertas”, disse um especialista que preferiu não se identificar. (Agência Estado)