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quarta-feira, 25 de agosto de 2010, 00:02

Volume de novos empréstimos recua 3,5% em julho

A alta dos juros em julho parece ter desestimulado a contratação de novos empréstimos por empresas e pessoas físicas, segundo dados divulgados ontem pelo Banco Central (BC). A elevação do custo do dinheiro no mês passado refletiu as decisões recentes do Comitê de Política Monetária (Copom), que aumentou a taxa básica de juros para 10,75% ao ano, e a rápida resposta dos bancos, que incrementaram suas margens de lucro, passando a cobrar mais dos tomadores de crédito.

O valor das novas concessões de empréstimos realizadas em julho caiu para R$ 166,429 bilhões, frente a R$ 172,460 bilhões, num decréscimo de 3,5%. O recuo foi puxado pela retração na contratação de crédito pelas empresas. As concessões acumuladas em julho para pessoas jurídicas encolheram 7,3%, para R$ 99,155 bilhões, diante de R$ 106,951 bilhões no mês anterior. Para pessoas físicas, as novas contratações somaram R$ 67,274 bilhões, crescendo 2,7% frente a junho.

O saldo total das operações de crédito continuou crescendo, embora em velocidade menor, atingindo R$ 1,548 trilhões no mês passado, correspondendo a 45,9% do Produto Interno Bruto (PIB), diante de 42,8% em julho do ano passado. No mês, houve variação de 1,2% frente a junho, com aumento acumulado de 9,4% em sete meses. Comparado a julho de 2009, o estoque de crédito na economia brasileira cresceu 18,4%, com larga colaboração dos bancos públicos (que elevaram o saldo das operações de crédito em 24,8% desde julho do ano passado, diante de uma variação de 16,5% nos bancos privados nacionais e de apenas 9,2% nos bancos estrangeiros).

O avanço dos juros não parece estar relacionado a fatores essencialmente de mercado, já que a inadimplência tem se mantido muito bem comportada. Nas operações livres, ou seja, que têm seus juros negociados entre emprestadores e tomadores de crédito, o total de empréstimos em atraso representou 5% do saldo das operações de crédito, mesmo percentual observado em junho e abaixo dos 5,8% anotados em julho de 2009.

 No geral, incluindo os financiamentos com juros livres e controlados (empréstimos do BNDES, crédito para a agricultura e outras modalidades com juros fixos), a inadimplência ficou limitada a 3,6% do estoque total de crédito concedidos pelo sistema financeiro como um todo, variando em torno de 2,3% nos bancos públicos e ao redor de 4,5% nos bancos privados nacionais e estrangeiros – o que, mais uma vez, desautoriza críticas a supostos descontroles na concessão de crédito pelo setor financeiro estatal.

Da mesma forma, os juros pagos pelos bancos a aplicadores e investidores mantiveram-se estável em julho, mais claramente, os custos não subiram para os bancos, mas os juros que o setor cobra de empresas e pessoas físicas aumentaram de 34,6% para 35,4% ao ano, em média. A parcela mais salgada dessa conta foi cobrada das pessoas jurídicas, que passaram a pagar juros médios de 28,7% ao ano, frente a 27,3% em junho, numa variação de 1,4 pontos percentuais.

Para pessoas físicas, os juros chegaram a 40,5%, ligeiramente acima da taxa de 40,4% registrada em junho, ainda próximos dos níveis mais baixos em toda a série histórica do BC.

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