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domingo, 25 de julho de 2010, 00:01

Produção deve subir com mais tecnologia em Goiás

Vinicius Mamede


A agroindústria em Goiás deve se beneficiar, em breve, dos resultados de estudos goianos sobre a produção primária no Estado. Cerca de 70 redes de pesquisa ligadas ao agronegócio e ao desenvolvimento rural e fundiário devem ser criadas, até o fim do ano, pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (Fapeg) e ser complemento importante aos 18 projetos mantidos, atualmente pelo órgão, com o intuito de tornar a agricultura e a pecuária do Estado mais competitiva.

Mais de R$ 30 milhões já foram investidos no fomento dessas pesquisas pelos tesouros estadual e federal, desde a criação do órgão em 2005. Diretor científico da Fapeg, José Clecildo Barreto Bezerra conta que, entre as diversas outras pesquisas mantidas pela entidade, a produção e a sustentabilidade agrícola servirão como apoio importante ao agropecuarista, que poderá contar com soluções inteligentes para o desenvolvimento das atividades no campo.

O diretor destaca que, por meio das parcerias com outros órgãos – como a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) –, a Fapeg pode se lançar até em pesquisas para melhoria genética das espécies. Questão que coloca como peso fundamental para aumentar a competitividade do produto goiano. “Além de tornar a planta ou animal resistente, as mais diversas pragas e doenças, a biotecnologia pode também tornar os espécimes mais ambientados ao clima do cerrado e melhorando, com isso, a produção”, informou.

Bezerra ainda coloca o estudo como a única forma de evitar o gasto desnecessário do dinheiro público. Com a pesquisa, acredita ser possível destinar montante certo para o fomento da atividade rural no Estado e de modo a privilegiar toda a cadeia de produtores. Todo o conhecimento obtido nas pesquisas será público e repassado aos agropecuaristas, de forma gratuita, a exemplo dos relatórios obtidos em outras 373 redes e mais de 500 projetos divididos, além da produção no campo, em temas como a melhoria da educação e a saúde no Estado.

Pesquisador e professor universitário, Alcido Wander Elenor está à frente de uma das pesquisas mantidas pela Fapeg para descobrir possíveis gargalos na agroindústria do Estado. A ideia do estudo é esclarecer as problemáticas na produção e beneficiamento em solo goiano e depois repassar os dados a Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Estado de Goiás (Seagro) e a Secretaria do Planejamento e Desenvolvimento (Seplan).



COMPETITIVIDADE

A pesquisa pronta servirá de norte aos investimentos dos órgãos públicos, para aumentar a competitividade da agroindústria. O trato com a soja, milho, algodão, leite, arroz, bovinos, suínos e frango estão entre as commodities levadas em contas na pesquisa, que já concluiu problemas com a cultura da cana-de-açúcar.

Após acompanhar de perto a produção e o beneficiamento da cana em etanol, em todo o Estado, a equipe de 10 mestres e doutores colocou o transporte da cana até a usina, sobretudo na região centro-sul, como principal encarecedor do produto. “Um dos maiores encarecedores dos derivados da cana no Estado é o transporte, que ainda é feito unicamente em modelo rodoviário”, afirmou.

Além do transporte, os pesquisadores ainda destacaram a acidez do solo, a competição com as pastagens para o gado e o modelo de colheita manual como impossibilitadores de aumentos na produção. A pesquisa completa sobre os problemas nas plantações de cana e outros modelos de culturas são esperados para julho de 2011, quando os relatórios finais serão enviados as entidades ligadas à agropecuária de Goiás para, em conjunto, adequarem soluções e tornar a produção goiana ainda mais competitiva dentro e fora do País.

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