A taxa de desemprego divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nas seis principais regiões metropolitanas do País caiu de 7,5% em maio para 7% em junho, no menor nível para meses de junho desde o início da série histórica da pesquisa, em 2002. Em junho de 2009, a taxa foi de 8,1%. Com os dados de junho, segundo o gerente da Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE, Cimar Azeredo, é possível afirmar que os efeitos da crise que abalou o mercado de trabalho, no ano passado, já foram integralmente superados.
Apesar da notícia positiva, o ex-diretor do Banco Central (BC) e chefe do Departamento Econômico da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Carlos Thadeu de Freitas, afirmou que o nível de desemprego evidencia a incerteza relacionada ao quadro da economia doméstica, defendendo mudança no calendário de reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom). Ontem, o Copom surpreendeu ao reduzir o ritmo de alto dos juros básicos (taxa Selic) tendo em vista “o processo de redução de riscos para o cenário inflacionário”.
Segundo Azeredo, a taxa de desemprego média do primeiro semestre de 2010 foi de 7,3%, contra 8,6% no primeiro semestre de 2009, a menor para um primeiro semestre da série. A renda real dos trabalhadores no semestre ficou, em média, em R$ 1.420,34, o maior para um primeiro semestre da série. Na comparação com o mesmo período do ano passado, a renda teve alta de 1,7%.
Em junho, o número de ocupados somou 21,878 milhões de pessoas, com estabilidade ante o mês anterior e alta de 3,5% ante junho de 2009. Já o número de desocupados (sem trabalho e procurando emprego) somou 1,647 milhão, com queda de 6,6% ante maio e redução de 11,8% ante junho do ano passado. O rendimento médio real dos trabalhadores registrou alta de 0,5% em junho ante maio e aumento de 3,4% frente a junho de 2009.
RENDIMENTO
A massa de renda média real habitual dos trabalhadores de seis regiões metropolitanas do País (Belo Horizonte, Porto Alegre, Recifde, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo), somou R$ 31,4 bilhões em junho, com alta de 0,5% ante maio e alta de 6,7% ante junho de 2009. Já a massa de renda média real efetiva, que sempre se refere ao mês anterior ao de referência da taxa de desemprego, somou R$ 31 bilhões em maio, com estabilidade ante abril e alta de 6,3% ante maio de 2009.
Azeredo disse que considera os resultados do mercado de trabalho metropolitano em junho como “favoráveis”, já que houve queda na taxa de desemprego e melhoria da qualidade da ocupação, com crescimento da formalidade. Segundo destacou Azeredo, o emprego com carteira está crescendo acima da população ocupada. (Agência Estado)