Vinicius Mamede
Números da Superintendência de Previdência Complementar (Previc) apontam 7,7 milhões de contribuintes em fundos de previdência privada no Brasil. O contingente busca no modelo especial de aposentadoria o complemento ao que é pago pelo Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), que, além do teto máximo de R$ 3,5 mil, apresenta diversos outros pormenores que podem reduzir o benefício.
Em contrapartida aos investimentos no referido modelo, o segmento especial de aposentadorias destina R$ 1,6 bilhão mensalmente aos mais de 640 mil aposentados inscritos nesses fundos e outros 3,4 milhões de pensionistas. A média paga pelo setor é de R$ 3,1 mil aos aposentados e R$ 1,4 mil por pensão.
O engenheiro Nelson D’abadia Gomes, de 56 anos, participa de dois fundos de previdência privados. De acordo com ele, a adesão busca permitir mesmo padrão de vida no momento da aposentadoria. “Mesmo sendo descontado pelo INSS, a porcentagem relativa a 20 salários mínimos, o máximo para a minha aposentadoria é de apenas R$ 3,5 mil”, reclama ele.
Ainda segundo depoimento do engenheiro, raros são os casos em que o inscrito na previdência federal consegue o teto. “As contas são baseadas no tempo de contribuição, na idade no momento da aposentadoria e na sua expectativa de vida”, explica Gomes. Por isso, ele diz que qualquer divergência é motivo para cortes no montante destinado à aposentadoria repassado pelo governo.
Educação financeira
Diretor Nacional da Previc, Edevaldo Fernandes explica que, nos últimos oito anos, cerca de 17 milhões de clientes em potencial deixaram de aderir ao modelo. Segundo o diretor, a falta de instrução do brasileiro, quanto à condução das finanças e sobre planos de previdência são os principais impedimentos. “A maioria se preocupa em satisfazer consumos imediatos e, muitas vezes, até desnecessários, se esquecendo de poupar um pouco agora para viver bem depois”, alerta ele.
Fernandes ainda destaca o regime especial de previdência como um investimento melhor que o da poupança. “A quantia poupada na previdência privada em 2009, por exemplo, rendeu 24% no ano, número acima da taxa de juros da época (10%) e do reajuste da poupança, 7,49%”, informou o diretor.
Ligada ao Ministério da Previdência Social, a Superintendência de Previdência Complementar deve lançar, em breve, um manual de práticas em fundos de pensão privadas abertas ou em regimes fechados para contribuintes de uma só empresa ou de associação de trabalhadores.