Vinicius Mamede
Após queda expressiva em junho de 4,24%, as vendas do setor industrial em Goiás retomaram o crescimento no mês seguinte. De acordo com a Pesquisa de Indicadores Industriais divulgada ontem e realizada pela Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), a comercialização da produção goiana teve alta de 2,34% em julho. Segundo a entidade, o aumento é reflexo da retomada da confiança por empresários e consumidores quanto ao consumo.
Com elevação nas vendas, os demais índices de julho – como salários (+6,71%), empregos oferecidos pela indústria (+0,39%) e horas trabalhadas (+1,18%) – também tiveram acréscimos na comparação com o mês anterior. Apesar de sensível, quando comparada ao resultado de junho, a empregabilidade do segmento teve alta de 6,43% de julho de 2009 até o mesmo mês deste ano.
Números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) apontaram o segmento industrial em Goiás como o maior contratante de mão de obra no primeiro semestre do ano. Dos 76.613 empregados, 30.612 foram contratados pela indústria (39,95%); seguido pelo setor de serviços (14.255).
Economista da Fieg, Cláudio Henrique de Oliveira explica o resultado ruim nas vendas de junho como consequência do receio do consumidor e dos empresários quanto aos investimentos. De acordo com ele, o mês de maio havia sido marcado pelo anúncio do aumento na taxa Selic – responsável por regular a taxa básica de juros do País – e pelo crescimento da inadimplência e endividamento do consumidor. “Juntos, estes fatores frearam a produção e também o consumo”, disse Oliveira.
Ainda conforme o economista, o resultado positivo de julho ameniza este “antigo receio” do setor industrial, que já se tranquilizou quanto às mudanças a que o cenário econômico foi submetido. “Se existia algum temor, ele já foi absorvido”, acredita. Para ele, se mantido o ritmo observado em julho, o setor industrial em Goiás terá destaque frente aos demais setores econômicos, inclusive com ênfase nacional na geração de empregos.
Proprietário da Kaya, Reginaldo Wantuil admite que as condições do mercado influenciam diretamente as vendas. Apesar disso, não as vê como único regulador. “É preciso buscar novos mercados para tapar possíveis quedas nas vendas”, aponta ele. Segundo o empresário, a indústria cresceu 35% em junho, mesmo com cenário ruim imposto pelo aumento dos juros. Em julho, ele contabilizou um crescimento de 50% nas vendas.
A solução encontrada por ele foi a diversificação de mercados. “Já estamos em todo o Norte, Nordeste e Centro-Oeste”, informa Wantuil. A intenção da empresa, agora, é emplacar seus produtos também nas regiões Sul e Sudeste, com a adaptação da coleção para regiões mais frias. “Contratamos novos designers e estilistas para fabricar roupa mais adequada àquele clima”, revela.