Os irmãos siameses Arthur e Heitor de um ano e três meses estão se preparando para a cirurgia de separação que deve ocorrrer nos próximos quinze dias no Hospital Materno Infantil (HMI). As crianças são unidas pelo tórax, abdômen e bacia. Eles vieram com a mãe, Eliana Ledo Rocha Brandão, de 33 anos, de Botuporã, na região centro-oeste da Bahia.
Eliana ficou sabendo que esperava gêmeos siameses no exame morfólogico no quinto mês de gestação. “A notícia foi como tirar meus pés do chão”, fala. Ela conta que procurou informações na internet e que veio para Goiânia para dar a luz com o cirurgião Zacarias Calil. E em novembro do ano passado veio na Capital para avaliar o desenvolvimento dos meninos. A professora diz que ouviu indiretas de médicos para parar com a gravidez dos filhos.
Eliana acredita que a separação é a melhor forma para que os dois tenham uma vida sociável. “Vi que existem gêmeos siameses adultos, mas quero que eles ganhem o mundo e tenham individualidade”, fala. Ela também cita que a união provavelmente pode trazer problemas de saúde.
“Não encontrei rejeição, apenas apoio”, complementa a mãe. Eliana fala que o nascimento dos filhos siameses fez com que amigos que estavam distante a procurassem para ajudá-la. “Não é uma luta apenas minha e do meu esposo”, fala. Ela criou o site – www.ajudeosgemeossiameses.com.br – para arrecadar dinheiro para futuras cirurgias, plásticas e até mesmo proteses que os meninos precisarão no futuro. A professora fala que o único problema das crianças é o intestino preso. “Eles só tem resfriados como qualquer outra criança”, fala.
A cirurgia está agendada para o próximo dia 11, mas vai depender se eles vão ter pele suficiente para a cirurgia. “Como eles estão com o abdômen inchado devido ao intestino preso, não dá para averiguar”, fala a mãe.
Para a cirurgia, a família não terá gasto. Eles estão hospedados em uma casa que atende pacientes que vêm do interior do Estado. “Agradeço a ajuda de Goiás e do médico Zacarias”, fala. O cirurgião pediátrico Zacarias Calil explica que o procedimento custa em média para R$ 600 mil para o Governo do Estado.
Segundo Calil, cada menino tem um coração, um par de rins, mas possuem um único intestino delgado e grosso, além de dividirem a mesma bexiga. Ele complementa que o caso é similar ao de Maria Luana e Maria Luíza, separadas em março desse ano. O médico diz ainda que o risco é alto de 10 a 20%. (Cejane Pupulin)