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sexta-feira, 30 de julho de 2010, 00:00

Mulher morre após agressões

Cejane Pupulin


A uma semana antes da Lei Maria da Penha complementar quatro anos, mais uma mulher foi vítima de violência doméstica. Dariane Neves Batista, 22, morreu na noite da última quinta-feira (28) após sofrer inúmeras agressões do marido, Francisco Gualbero Brito, 30, com quem morava há aproximadamente três anos. Na último dia 2, em Rio Verde, a 175 quilômetros de Goiânia, ela foi encontrada desmaiada no barracão onde residia com o marido no bairro Popular. Ela apresentava diversas fraturas, principalmente na cabeça.

No dia, Dariane foi encaminhada para o Hospital Evangélico, por onde passou por dois procedimentos cirurgicos e se alimentava por sonda. A vítima recebeu alta no ultimo dia 23, e veio para a Capital, para a casa da mãe no Setor Tremendão, em Aparecida de Goiânia. De acordo com a mãe da vítima, Maria Divina Neves dos Santos Costa, 42, no dia a filha fumou crack com o marido e foi posteriormente foi espancada por ele. “Ela apanhou e ficou muito tempo no chão, sem atendimento médico”, fala.

A vítima não recebeu atendimento médico em Goiânia e ficou apenas na cama. A dona de casa Maria Divina conta que a filha não movia o lado esquerdo do corpo e não se comunicava. “Ela ficou internada seis dias no CTI de Rio Verde. Cuidar dela era como se cuidasse de um bebê”, fala a mãe. Conta que procurou o posto de saúde do bairro para que um médico fosse na sua residência ver Dariane, já que não conseguia locomover a filha. “Até hoje estou esperando a visita”.

O relatório do hospital do interior afirma que Dariana apresentava quadro de traumatismo craniencefálico, e ficou em estado de coma. Tomografia revelou um hematona intracraniano com desvio da linha média. O documento complementa que a paciente foi alimentada por sonda e mantida por respiração artificial.

Essa não foi a primeira vez que Dariane foi vítima de violência do parceiro. Em março de 2008,  Francisco a atacou com uma tesoura, no ano seguinte, com uma faca. No ínicio desse ano, o amásio foi preso por tentativa de homicídio, após jogar alcóol nela e atear fogo. “Em 2009, Francisco ficou preso por 60 dias por lesão corporal. E essa ano por tentativa de homicídio”, afirma  a delegada da Mulher de Rio Verde, Jaqueline Camargo de Queiroz.

“Quero justiça. Sei que minha filha não vai voltar, mas quero que não acontessa isso com outras jovens”, fala desesperada a mãe da vítima no momento que pegava a liberação do corpo. A delegada complementa que Francisco, conhecido como Chiquinho, foi preso duas vezes e, sempre depois de sair do hospital, Dariane afirmava que não foi ele quem a machucou. “Todas as agressões foram após o uso de drogas”, fala Jaqueline. Divina complementa que ele sempre levava a droga para a casa e batia nela. “Aquilo não era vida”, fala a mãe.

Maria Divina explica que as irmãss do suspeito sempre chegavam na filha após as agressões e ofereciam dinheiro para ela retirar a acusação. “Ele deveria estar preso. Não tem lei”, desespera a mãe. O casal tinha dois filhos, mas apenas um morava com eles. Dariane era mãe de outras três crianças que ela deu para adoção.

O velório e enterro de Dariane serão hoje em Rio Verde. O velório será na casa da avó do esposa, onde ela morava nos fundos em um barracão. "Quero que seja na cidade para todo mundo ver o que ele (Francisco) fez com ela", fala Divina. Ela conta que a filha era saúdavel e depois do início do uso das drogas e do relaciomento ela emagreceu muito, aproximadamente uns 20 quilos.

De acordo com a da Secretaria de Segurança Pública (SSP) de Goiás, 97 mulheres foram assassinadas no primeiro semetre desse ano. O número representa 14% a mais que o mesmo período do ano passado, quando foram contabilizadas 85 vítimas. De acordo com a assessoria de imprensa da SSP, a maior parte dos crimes forma cometidos pelos parceiros das vítimas. No último mês de junho, a Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam), na Capital, registrou 27 ocorrências por lesão corporal e nenhum homícidio.

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