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quinta-feira, 29 de julho de 2010, 00:25

Protesto em palestra de Aldo rebelo

Ambientalistas contrários às mudanças do Código Florestal interromperam a palestra do deputado federal Aldo Rebelo (PCdoB-SP), com palavras de ordem em um megafone, no final da manhã de ontem, em Campinas (SP). Rebelo é o relator da Comissão Especial do Código Florestal Brasileiro e era um dos convidados do workshop Água, Agricultura e Meio Ambiente no Século 21, promovido pela Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati), órgão da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.

Uma manifestante leu as razões das discordâncias das mudanças na lei, mas suas palavras se tornaram inaudíveis por causa das vaias e reclamações dos presentes. Houve empurra-empurra, troca de acusações entre produtores rurais e os manifestantes. Um agricultor foi derrubado, enquanto água e suco de laranja eram jogados contra os ambientalistas.

Os manifestantes foram contidos e a organização encerrou o evento. “Isso é um retrocesso. Rebelo, exterminador do futuro”, repetiam enquanto eram levados para fora do anfiteatro da Cati.

O deputado definiu a situação como “reações emocionais com ausência de discussão democrática”. Ele disse que o evento reunia dezenas de ambientalistas e que esse tipo de manifestação surge “de pessoas intolerantes”.

“Quando eu era estudante, enfrentei tropa de choque da PM, ameaças físicas e até de vida e não vou me intimidar. Isso não tem significado, não tem sentido, é um gesto de desrespeito”, falou.

Marcela Moreira, que fez uso do megafone, disse que foi agredida e tinha um pequeno corte no lábio inferior e que pretendia fazer um boletim de ocorrência. Para ela a manifestação é um alerta contra o Código Florestal Brasileiro, que representa a destruição do meio ambiente. “Não aceitamos a anistia daqueles que desmataram por se tratar de incentivo para o desmate. Também não aceitamos a redução de área de proteção de 30 para 7 metros e meio na propriedade rural.”

O coordenador-substituto da Cati, João Brunello Júnior, falou que iria consultar o departamento jurídico para saber se seria tomada alguma atitude sobre a situação. “Aqui é um espaço democrático. O que está sendo discutido é um código instituído na época dos militares e em grande parte por medidas provisórias Por isso, não há razão para radicalizar e se faz necessário o bom senso.” (AE)

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