Os médicos-residentes do Estado de Goiás que atuam no Sistema Único de Saúde (SUS), parados desde o último dia 20, fizeram manifestação na manhã de ontem em frente ao Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo). Os estudantes pedem reajuste de 38,7% na bolsa-auxílio, hoje no valor de R$ 1.916,45, mais dez pontos de aumento no ano que vem e a valorização da categoria. Sem negociação com o governo federal, a greve, que acontece em todo o Brasil, ainda não há previsão de término.
Com a paralisação, os atendimentos pelo SUS estão prejudicados. Segundo o médico-residente Roitiner Silvano Gomes, de 29 anos, no Hospital das Clínicas (HC) os atendimentos ambulatoriais foram suspensos e o Hugo não está internando novos pacientes na enfermaria. “Com certeza os atendimentos estão sendo prejudicados”, afirmou ele. Conforme o Ministério da Educação, hoje, os futuros especialistas participam de 70% dos atendimentos pelo SUS, constituindo-se na grande mão de obra propulsora do sistema público.
A médica Maíra Freitas explica que a categoria trabalha 60 horas por semana e há quatro anos reivindica o aumento. “Em 2006 o governo ficou de reajustar em 20%, mas na prática nada foi feito. E sabemos que eles só vão olhar para a categoria se paralisarmos”. Para ela, a baixa remuneração é prejudicial para os médicos que querem se especializar. “Não somos incentivados a querer fazer a residência, e isso é prejudicial para o atendimento médico, que não contará com médicos especialistas e capacitados”.
Os estudantes afirmam que só retornarão ao trabalho após as reivindicações serem cumpridas. Eles acreditam que a intervenção do vice-presidente José de Alencar pode adiantar as negociações, mas ainda não há previsão de fim à paralisação. (Flávia Moreno)