Lyniker Passos
A mãe dos siameses Arthur e Heitor, de 1 e 6 meses, Eliana Ledo, recebeu ontem da Organização das Voluntárias de Goiás (OVG) cinco expansores de silicone necessários para a futura cirurgia de separação das crianças. Elas vão passar por um procedimento cirúrgico para inserir os expansores, na próxima semana. Após 30 dias de tratamento, que consiste em expandir a pele, a cirurgia de separação será realizada. Esse tipo de técnica é a mesma utilizada em tratamento de queimadura. Os gêmeos já estão internados no Hospital Materno-Infantil (HMI), desde o 31 de agosto, quando passaram por uma cirurgia na região anal. Essa primeira cirurgia foi necessária por causa dos possíveis riscos de contaminação ao colocar os expansores de silicone na pele.
Os cinco expansores de silicone custam R$ 850 cada e foram doados pela OVG. A coordenadora-geral da organização, Nina Cabral, esteve ontem pessoalmente para entregar o presente nas mãos da mãe dos garotos. Os expansores devem ficar no corpo de Arthur e Heitor, até que seja realizada a cirurgia de separação, prevista para daqui a 30 dias. Eles serão implantados nas costas, barriga e na terceira perna dos siameses. Até que as duas últimas cirurgias aconteçam, os gêmeos e a mãe vão ficar permanentes no HMI.
O cirurgião Zacharias Calil, chefe da equipe médica que irá realizar as cirurgias, afirmou que sem o expansores seria impossível realizar a separação de Arthur e Heitor. “Os expansores são inseridos vazios debaixo da pele, e todos os dias será injetado soro fisiológico para expandir o material. Esse novo procedimento deve durar cerca de duas horas”, detalhou. Ele ressalta que o procedimento é necessário, pois não existe pele suficiente. “Todos os dias serão inseridos de 500 a 700 ml de soro fisiológico”, disse. Até o dia de realizar a cirurgia de separação existe a possibilidade de os expansores terem recebido até 2.500 ml.
Os gêmeos estão unidos por parte do tórax, abdômen e bacia. Eles compartilham o fígado, intestino, bexiga e as partes genitais. Zacharias Calil afirma que o órgão mais complicado é o fígado, que se formou em uma posição triangular no meio do tórax das crianças. O médico considera o caso complexo e complicado, “a terceira perna é curta e insuficiente para o fechamento do corpo”.
A mãe dos gêmeos, Eliana Ledo, 33 anos, relembrou ontem no quarto do HMI, onde os filhos estão internados, e que desde sua gestação o médico Zacharias Calil acompanha o caso. Mesmo a Secretaria de Saúde da Bahia – Estado onde a família mora – tendo disponibilizado total apoio para a cirurgia, Eliana optou por vir para Goiânia. Durante todo esse período em Goiânia, a mãe e os gêmeos ficaram hospedados na Casa do Interior de Goiânia, dirigida pela OVG. Eliana afirma não ter grandes custos, pois está tendo total apoio do governo. Ela refaz o pedido de que precisa de fraldas e lenços umedecidos. As doações podem ser feitas pelo site que foi construído para mostrar a necessidade do apoio da comunidade e contar uma pouco da história de Arthur e Heitor.