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sexta-feira, 03 de setembro de 2010, 01:02

Menino de 13 anos é torturado

Um menino de 13 anos foi torturado por vizinhos em Santo Antônio do Descoberto, a 175 quilômetros de Goiânia, na segunda-feira (30). O garoto Jorge (nome fictício) foi acusado de tentar roubar galinhas na chacára de um vizinho. Segundo a mãe da criança, a manicure Maria (nome fictício), de 38 anos, a filha ligou contando que o menino foi levado para uma chácara que fica  a cinco minutos da casa da vítima.

No local, o proprietário da chácara e outros comparsas bateram nele com uma corda, ameaçaram matá-lo e até mesmo o fizeram comer fezes de vaca por aproximadamente duas horas. No mesmo dia, antes da tortura o menino estava correndo pela rua que dá acesso à chácara com outro garoto e um motociclista, amigo do proprietário do local, caiu.

“Quando fui em direção à chácara vi que meu filho estava com os braços amarrados. O velho viu a viatura e mandou meu filho falar que tava roubando galinhas”, relata Maria. Ela conta que a polícia inicialmente se negou a ir ao local e só foi após ela ligar chorando. “Os policiais da viatura nem desceram do carro”, fala.

A mulher afirma que os policiais não prestaram socorro ao menino, que estava com a boca muito machucada. “Meu filho disse que o velho pisou em sua barriga, o chutaram, e o puxaram pelo cabelo”, fala. A mãe conta que o filho chegou muito machucado em casa e com um corte na cabeça.

De acordo com o titular da delegacia do município, Cleber Júnior Martins, um inquérito de prática de tortura foi instaurado. Na quarta-feira (2), o proprietário da chácara foi ouvido. Ele afirmou para a polícia que não participou da sessão de tortura e quando chegou ao local o menino já estava machucado e amarrado.

Outras três pessoas estão sendo investigadas por envolvimento no caso. O laudo do Instituto Médico Legal (IML) confirmou que o garoto, que cursa o 7º ano, sofreu lesão corporal e deformidade facial temporária. “O menino relatou a tortura, mas temos de analisar o depoimento devido à influência da mãe”, fala o delegado.  (Cejane Pupulin)

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