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quinta-feira, 02 de setembro de 2010, 00:09

União para salvar córrego

Wanessa Rodrigues

A família da dona de casa Eudes Pereira Landin, de 55 anos, convive com o medo de a residência onde mora ser invadida pelas águas do Córrego Seco, em Nerópolis. Os quatro moradores da casa já passaram por esta situação no final do ano passado, quando o muro que separa o local do córrego desabou por causa da força das chuvas. A enchente atingiu quatro lotes localizados no Centro daquela cidade, onde as casas foram construídas à margem daquele córrego. Mas o problema, que parecia sem solução para os moradores, está prestes a ser resolvido.
A intenção é colocar nos fundos daquelas casas muros de contenção feitos de gabião – estrutura de tela de aço galvanizado. A ideia partiu do grupo formado por nove articuladores sociais(incluindo a promotora de Justiça da cidade) que participam do projeto Ser Natureza, que integra o Programa Parceria Cidadã, desenvolvido pelo Ministério Público de Goiás (MP-GO) em conjunto com a comunidade. O HOJE traz nesta edição a segunda matéria da série sobre as atividades realizadas por meio do  programa em 19 comarcas do Estado. Desta vez, as experiências mostradas foram implantadas em Nerópolis, a 36 quilômetros de Goiânia.
A construção do muro de contenção com gabião faz parte do projeto de revitalização do Córrego Seco, problema escolhido como o primeiro a ser resolvido na cidade por meio do projeto Ser Natureza. No total, a atividade voltada para o córrego abrange três etapas, sendo que a primeira delas foi concluída no final do ano passado, com a recuperação das nascentes localizadas dentro de quatro propriedades rurais de Nerópolis. A primeira fase do projeto foi realizada graças à aliança estipulada entre os proprietários das chácaras, MP, comunidade e articuladores sociais.
Sem ter de ingressar com nenhuma ação no Judiciário, os articuladores sociais de Nerópolis conseguiram que os donos daquelas propriedades se tornassem colaboradores no projeto de recuperação das nascentes. Um deles foi o empresário Trajano Geraldo Ferreira, 55, que possui uma chácara na região. Segundo conta, a plantação de bambus da propriedade está próxima às nascentes daquele córrego. Depois de terem sido feitas análises técnicas para solucionar a questão, decidiu-se cercar uma área de 30 metros a partir da nascente e realizar o plantio de mudas típicas do Cerrado no local para revitalizar as áreas degradadas.
Trajano ressalta que as ações desenvolvidas pelo MP em parceria com a comunidade só trazem benefícios, principalmente na área do meio ambiente. O empresário ressalta que, quando comprou aquela chácara, os bambus já existiam e que não tinha ideia de que a plantação estava irregular. Mesmo sem ter sido o responsável pela degradação, Trajano diz que se dispôs a contribuir com o projeto no que fosse preciso. “Precisamos preservar, pois, se for deixando para depois, daqui a uns dias acaba tudo”, acredita.O empresário e os outros proprietários envolvidos na primeira fase do projeto receberam certificados pela contribuição dada às atividades.

FASES
A primeira etapa do projeto de revitalização do Córrego Seco abrangeu a área rural com a recuperação das nascentes em quatro propriedades – envolvendo cercamento, realização de curvas de nível e plantio de mudas. As próximas fases buscam a revitalização do córrego nas áreas semi-urbanas e urbanas. As residências que tiveram os muros destruídos pela chuva estão incluídas na fase urbana, que seria a última a ser resolvida. Mas, segundo a promotora de Justiça Elaini Cristina Alves Pires Trevisan, a solução teve de ser adiantada pela gravidade do problema. Ela ressalta que os muros de outras residências estão prestes a vir abaixo.
A dona de casa Eudes Pereira Landin está confiante na solução apresentada pelos articuladores sociais e diz que o córrego precisava, há anos, de “socorro”. Eudes salienta que a população precisa se conscientizar da gravidade da situação daquele córrego, pois é possível encontrar no local todo tipo de lixo. “Com essa atividade do MP, podemos mudar essa situação e fazer com que nossos netos e bisnetos possam conhecer esse córrego que faz parte da história da cidade.”

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